O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu nesta segunda-feira, 24 de outubro, autorização para que a Polícia Federal (PF) tenha acesso aos dados de uma investigação conduzida pela Polícia Civil de São Paulo (PC-SP) envolvendo a produtora audiovisual Go Up Entertainment. A produtora é responsável pelas gravações do filme “Dark Horse”, uma cinebiografia que retrata a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro. A decisão ocorre no contexto de uma solicitação da própria PF, que busca informações relativas a uma operação realizada pela polícia paulista, a qual investiga contratos firmados pela produtora com a prefeitura da capital paulista.
A investigação da Polícia Civil de São Paulo está centrada na análise de repasses de emendas parlamentares feitas a uma entidade ligada à Go Up Entertainment. Esses repasses financeiros ganharam destaque após o ministro Flávio Dino assumir a relatoria do inquérito que apura possíveis desvios na destinação de recursos públicos. Especificamente, o caso envolve a suspeita de que R$ 2 milhões tenham sido desviados ou utilizados de forma irregular pelo instituto ligado à produtora, o que motivou a solicitação de acesso aos dados por parte da Polícia Federal.
A tramitação do caso no Supremo se deu por meio de uma representação apresentada pela deputada Tabata Amaral (PSB-SP), que solicitou a intervenção do tribunal diante do andamento das investigações. A decisão de Dino visa ampliar o escopo de apuração, permitindo que a PF acesse informações que possam contribuir para esclarecer possíveis irregularidades relacionadas aos contratos e repasses públicos envolvidos na produção do filme “Dark Horse”.
O filme, que retrata aspectos da trajetória política de Jair Bolsonaro, veio à tona após reportagens do site The Intercept, que revelaram uma conversa entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ocorrida em novembro do ano passado. Na ocasião, Flávio teria solicitado recursos financeiros ao banqueiro para financiar as gravações do filme. Flávio Bolsonaro negou qualquer vantagem indevida na negociação, afirmando que os recursos utilizados eram de origem privada e que não houve qualquer benefício ilícito na operação.
A investigação sobre o financiamento do filme ganhou maior repercussão após a divulgação dessa conversa, levantando suspeitas acerca do envolvimento de recursos públicos e de possíveis irregularidades na destinação de verbas parlamentares. A decisão do ministro Flávio Dino, ao autorizar a PF a acessar os dados da operação da Polícia Civil, busca contribuir para esclarecer essas questões e aprofundar as investigações sobre a origem dos recursos utilizados na produção cinematográfica.
A medida reforça o papel do STF na supervisão de investigações envolvendo figuras públicas e recursos públicos, além de ampliar o alcance das apurações em um caso que envolve interesses políticos e financeiros de grande relevância. A decisão também evidencia a complexidade das investigações que envolvem contratos públicos, produção cinematográfica e possíveis desvios de verba pública, temas que continuam sob análise das autoridades judiciais e policiais.
Com informações da Agência Brasil