A nova edição do Boletim InfoGripe, divulgada nesta quinta-feira (29/10) pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), identificou incidência de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em nível de alerta ou risco, com tendência de crescimento no longo prazo, em cinco das 27 unidades da Federação. Amapá, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Sergipe e Maranhão apresentaram aumento até a Semana Epidemiológica (SE) 42, que corresponde ao período de 18 a 24 de outubro.
Em Sergipe, o avanço dos casos de SRAG é impulsionado principalmente pelo metapneumovírus, com maior impacto entre crianças pequenas. O levantamento também apontou duas unidades da Federação — Roraima e Santa Catarina — com incidência em níveis de alerta, risco ou alto risco, mas sem sinal de crescimento na tendência de longo prazo.
No cenário nacional, os registros de SRAG permaneceram em tendência de estabilização ou oscilação nas últimas seis semanas, enquanto houve aumento nas últimas três semanas. A atualização do boletim identificou queda nos casos de SRAG associados ao metapneumovírus e estabilização das ocorrências provocadas pelo rinovírus. Também foi observado um leve crescimento dos casos graves de Covid-19, embora a incidência continue baixa em todo o país.
A pesquisadora Tatiana Portella, do Boletim InfoGripe, desenvolvido pelo Programa de Computação Científica da Fiocruz, reforçou a importância da vacinação contra a Covid-19 entre os grupos prioritários. “Mesmo com o baixo número de hospitalizações por Covid-19 é muito importante que as pessoas dos grupos prioritários verifiquem se estão em dia com a vacina contra o vírus. Lembrando que idosos e pessoas imunocomprometidas precisam tomar doses de reforço da vacina contra a Covid-19 a cada seis meses”, afirmou.
Vírus associados ao aumento de casos nos estados
Em Mato Grosso, o crescimento dos casos de SRAG está relacionado principalmente ao Sars-CoV-2. Em Mato Grosso do Sul, o aumento é associado ao rinovírus e também ao Sars-CoV-2. No Maranhão e no Amapá, os dados laboratoriais disponíveis não foram suficientes para identificar qual vírus estaria relacionado ao avanço das ocorrências.
O boletim registrou ainda aumento dos casos de SRAG por metapneumovírus em estados das regiões Sudeste e Nordeste. No Sudeste, o crescimento aparece em São Paulo e no Rio de Janeiro. No Nordeste, os estados citados são Bahia, Pernambuco e Sergipe.
Também foi identificado um sinal de leve aumento dos casos de SRAG entre pessoas de 50 a 64 anos. Nas demais faixas etárias, o cenário é de estabilização. Em relação à Covid-19, há sinais de aumento dos casos graves em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Rio de Janeiro. Apesar disso, nos três últimos estados mencionados, a incidência de SRAG provocada pelo coronavírus permanece em níveis muito baixos.
Cinco capitais têm tendência de crescimento
Entre as capitais, cinco apresentaram nível de atividade de SRAG em alerta, risco ou alto risco nas duas últimas semanas, com sinal de crescimento na tendência de longo prazo, considerando as seis semanas anteriores até a SE 42. São elas: Aracaju (SE), Belém (PA), Cuiabá (MT), João Pessoa (PB) e Rio de Janeiro (RJ).
Em Aracaju e Cuiabá, o aumento ocorre principalmente entre crianças pequenas. Em João Pessoa, a elevação dos registros se concentra na população de 50 a 64 anos. Em Belém, o crescimento foi observado entre crianças de 2 a 4 anos e adultos de 50 a 64 anos. Na capital fluminense, o avanço aparece entre crianças menores de 2 anos e adultos de 15 a 49 anos.
Brasília (DF) e Florianópolis (SC) também registraram incidência de SRAG em nível de alerta, risco ou alto risco, mas sem sinal de crescimento na tendência de longo prazo.
Rinovírus lidera entre os casos positivos recentes
Considerando as quatro últimas semanas epidemiológicas, o rinovírus respondeu por 53,3% dos casos positivos de vírus respiratórios. Na sequência, aparecem o vírus sincicial respiratório (VSR), com 11,5%; o Sars-CoV-2, responsável por 6,4%; a influenza B, com 5,4%; e a influenza A, com 4,1%.
Entre os óbitos registrados no mesmo período e entre os casos positivos, o rinovírus esteve presente em 42,9% das ocorrências. O Sars-CoV-2 correspondeu a 19%, a influenza B a 7,6%, o VSR a 8,6% e a influenza A a 4,8%.
Ao longo do ano epidemiológico de 2026, foram notificados 168.814 casos de SRAG. Desse total, 90.200, ou 53,4%, tiveram resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório; 61.754, equivalentes a 36,6%, apresentaram resultado negativo; e pelo menos 7.351 casos, ou 4,4%, ainda aguardavam análise laboratorial.
Entre os casos positivos registrados no ano, o VSR aparece em 39,1% das ocorrências, seguido pelo rinovírus, com 33,3%; pela influenza A, com 15,7%; pela influenza B, com 5,5%; e pelo Sars-CoV-2, com 3,8%. A Fiocruz ressalta que os dados de positividade referentes às semanas mais recentes podem sofrer alterações significativas nas próximas atualizações, devido ao fluxo de notificações e à inclusão posterior dos resultados laboratoriais.
Crianças pequenas têm maior incidência, e idosos concentram mortalidade
Nas oito últimas semanas epidemiológicas, a incidência e a mortalidade médias semanais mantiveram o padrão de maior impacto nos extremos das faixas etárias analisadas. A incidência de SRAG é mais elevada entre crianças de até 2 anos. Já em relação à mortalidade, a maior concentração ocorre entre pessoas com 65 anos ou mais.
Nas crianças pequenas, os casos estão associados principalmente ao rinovírus, ao VSR e ao metapneumovírus. Segundo Tatiana Portella, o rinovírus também se destaca como a principal causa de mortalidade por SRAG entre crianças de até 2 anos. A incidência de casos graves provocados pela Covid-19, por sua vez, continua baixa em todas as faixas etárias.