Os preços do petróleo fecharam em queda nesta terça-feira (27), ampliando as perdas registradas na sessão anterior. O movimento ocorreu em meio à expectativa de avanços diplomáticos envolvendo o Irã e à avaliação dos investidores sobre novos desdobramentos geopolíticos no Oriente Médio. O mercado também repercutiu relatos de que a Opep+ deve manter inalteradas as metas de produção previstas para dezembro.
Na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres, o petróleo Brent com vencimento em janeiro recuou 1,20%, queda de US$ 1,33, e terminou o dia cotado a US$ 109,41 por barril. Na Bolsa Mercantil de Nova York (Nymex), o contrato do petróleo WTI para dezembro caiu 1,83%, ou US$ 1,86, encerrando a sessão a US$ 99,90 por barril.
A commodity chegou a apresentar uma tentativa de recuperação nas primeiras horas do pregão, mas voltou a operar em baixa ainda durante a manhã. Apesar do recuo, o WTI permaneceu próximo da marca de US$ 100 por barril, nível acompanhado de perto pelos participantes do mercado.
As oscilações refletem sinais contraditórios vindos do Oriente Médio. Representantes do Irã afirmaram estar dispostos a firmar um acordo que permita a reabertura do Estreito de Ormuz, uma importante rota para o transporte internacional de petróleo. Ao mesmo tempo, os Houthis, grupo do Iêmen, realizaram novos ataques contra a Arábia Saudita, mantendo elevada a percepção de risco na região.
Segundo avaliação do BOK Financial, a queda dos preços está relacionada principalmente às notícias de que novas negociações envolvendo o Irã, assim como tratativas entre Rússia e Ucrânia, parecem estar avançando. A possibilidade de acordos diplomáticos tende a reduzir, no curto prazo, o chamado prêmio de risco incorporado às cotações do petróleo.
“Embora a perspectiva de paz em ambas as regiões esteja mantendo alguma pressão de baixa sobre os preços no curto prazo, o fato é que a oferta global está restrita e há uma crescente presença militar dos EUA no Golfo Pérsico”, afirmou o BOK Financial, ao ponderar que os fatores de risco continuam presentes mesmo diante das expectativas de negociação.
O Commerzbank também considera que a situação no Oriente Médio permanece tensa. Para o banco alemão, novos ataques dos Estados Unidos contra o Irã podem ocorrer após as eleições de meio de mandato. A instituição acrescentou que o resultado das eleições em Israel poderá ser relevante para os próximos desdobramentos da guerra.
A Jefferies compartilha avaliação semelhante e afirma que a geopolítica continua no centro das atenções dos mercados. A instituição cita as preocupações de que os Estados Unidos possam considerar uma nova rodada de bombardeios depois das eleições, cenário que poderia aumentar a instabilidade e pressionar novamente os preços da commodity.
No campo da oferta, fontes ouvidas pela Reuters disseram que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados, grupo conhecido como Opep+, deve manter as metas de produção para dezembro. A manutenção da política atual também é considerada pelos investidores na formação dos preços.
O mercado ainda acompanhou o anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que o país receberá uma remessa de 1 milhão de barris de petróleo da Venezuela. Segundo Trump, outros bilhões de barris deverão ser enviados aos americanos.
Com informações de Dow Jones Newswires.