O Banco Bradesco anunciou um lucro líquido recorrente de R$ 7,1 bilhões no terceiro trimestre de 2023, representando uma alta de 14,6% em comparação ao mesmo período do ano anterior. O resultado ficou dentro das expectativas do mercado e não houve alterações nas projeções para o restante do ano. Na análise trimestral, o lucro apresentou um crescimento de 0,8%, evidenciando uma estabilidade na evolução dos ganhos em relação ao segundo trimestre de 2023.
A carteira de crédito do banco atingiu R$ 1,15 trilhão ao final de setembro, um incremento de 11,1% em relação ao mesmo período do ano passado, além de um aumento de 1,1% na comparação com o encerramento de junho. Este crescimento reflete a retomada de atividades e a expansão do crédito concedido, embora em ritmo moderado. No entanto, o índice de inadimplência acima de 90 dias apresentou um aumento, chegando a 4,6% no terceiro trimestre, frente a 4,1% registrado há um ano e 4,3% no segundo trimestre de 2023. O banco atribui esse aumento principalmente ao segmento de micro, pequenas e médias empresas (MPME), especialmente nas operações de capital de giro garantidas pelo Governo Federal, cujo atraso de pagamento representou cerca de metade da elevação na inadimplência total. Além disso, atrasos sazonais nas operações do Banco John Deere também contribuíram para o cenário de deterioração dos indicadores de inadimplência.
O custo do crédito, medido pela despesa de provisões (PDD) expandida, cresceu 24,3% em relação ao mesmo período de 2022, totalizando R$ 10,6 bilhões, e avançou 6,6% na comparação trimestral. Essa elevação reflete o aumento na provisão para perdas, diante do cenário de maior risco de inadimplência, e demonstra a postura conservadora do banco na gestão de riscos.
No que diz respeito à composição da carteira de crédito por estágios, o estágio 1, que indica operações com risco considerado saudável, totalizou R$ 730,8 bilhões, enquanto o estágio 2, que representa riscos crescentes, somou R$ 46,7 bilhões. Já o estágio 3, que sinaliza problemas na recuperação de créditos, atingiu R$ 62,5 bilhões. Esses valores mostram uma leve variação em relação ao segundo trimestre, quando estavam em R$ 727,3 bilhões, R$ 46 bilhões e R$ 60,2 bilhões, respectivamente.
O retorno sobre o patrimônio líquido médio (ROAE) do banco ficou em 15,6%, um aumento em relação aos 14,7% do mesmo período do ano anterior, embora abaixo dos 16,2% registrados no segundo trimestre de 2023. Desconsiderando o efeito do aumento de capital recente, o ROAE ajustado foi de 16,1%. O fortalecimento do capital do banco contribuiu para a melhora dos índices de solvência, que ao final de setembro apresentaram um índice de Basileia total de 16%, contra 15,9% há um ano, e de capital principal de 12,1%, ante 11,4% no mesmo período de 2022. Em junho, esses indicadores eram de 15,5% e 11,3%, respectivamente.
As receitas totais do banco somaram R$ 38 bilhões no terceiro trimestre, um crescimento de 8,4% em relação ao mesmo período do ano anterior. A margem financeira total atingiu quase R$ 21,4 bilhões, representando uma expansão de 14,2%. A margem com clientes cresceu 10,1%, alcançando R$ 20,5 bilhões, enquanto a margem com o mercado financeiro subiu de R$ 99 milhões para R$ 875 milhões na mesma base de comparação. As despesas operacionais apresentaram recuo de 1%, contribuindo para a redução do índice de eficiência, que passou de 50,1% para 45,4%.
No âmbito da estrutura física, o banco encerrou setembro com uma rede de 1.741 agências, além de 723 unidades de negócios e 1.428 postos de atendimento, números que refletem uma redução em relação a junho, quando eram 1.844 agências, 698 unidades de negócios e 1.565 postos de atendimento.
Por fim, o grupo segurador do Bradesco apresentou lucro líquido recorrente de R$ 2,9 bilhões no terceiro trimestre, um aumento de 14,1% em relação ao mesmo período do ano anterior, com retorno sobre o patrimônio (ROAE) de 22%, reforçando a consistência do desempenho financeiro do conglomerado.