O presidente-executivo do Banco Bradesco, Marcelo Noronha, afirmou nesta sexta-feira, 23 de novembro, que o banco observa uma crescente pressão na inadimplência e no custo de crédito no sistema financeiro nacional. Apesar do cenário desafiador, Noronha garantiu que a instituição está segura devido à robustez de seu portfólio de crédito, que apresenta maior controle em relação ao mercado como um todo.
Durante coletiva à imprensa, Noronha destacou que, embora haja sinais de maior dificuldade de pagamento por parte dos clientes, o banco mantém uma posição sólida. “Eu vejo um horizonte de maior pressão de crédito, de custo de crédito, de índices de inadimplência um pouco maiores, mas tenho a segurança de que a nossa carteira é uma carteira muito mais controlada do que o mercado”, afirmou o executivo. Essa avaliação ocorre em um momento de divulgação do balanço financeiro do terceiro trimestre do banco, que apresentou lucro líquido recorrente de R$7,1 bilhões, representando uma alta de 14,6% em relação ao mesmo período do ano anterior, em linha com as projeções do mercado.
No final de setembro, a carteira de crédito do Bradesco atingiu R$1,15 trilhão, um aumento de 11,1% na comparação anual. O crescimento reflete a estratégia de expansão do banco, mesmo diante de um cenário de maior cautela por parte dos consumidores e empresas. Contudo, o índice de inadimplência acima de 90 dias no terceiro trimestre subiu de 4,1% para 4,6% em relação ao mesmo período de 2022, indicando uma leve deterioração na qualidade da carteira de crédito.
O custo do crédito, que é representado pelas despesas de provisões para devedores duvidosos (PDD), também apresentou aumento relevante. A despesa expandida de provisões cresceu 24,3%, totalizando R$10,6 bilhões no período. Este aumento reflete a necessidade de provisionamento maior diante do cenário de maior inadimplência, uma prática comum em períodos de maior risco de crédito. Dados do Banco Central do Brasil indicam que, em agosto, a inadimplência no segmento de recursos livres atingiu 6,6%, um patamar elevado, embora ainda compatível com a tendência de crescimento observada no mercado financeiro.
A declaração do presidente do Bradesco reforça a percepção de que, apesar do aumento na inadimplência e dos custos associados ao crédito, a instituição mantém uma posição financeira sólida e bem controlada. O banco vem monitorando de perto os indicadores de risco, buscando equilibrar crescimento de carteira com a necessidade de proteção contra possíveis perdas futuras. Essa postura é fundamental em um cenário econômico marcado por incertezas e por uma maior pressão sobre consumidores e empresas, que enfrentam custos mais elevados e dificuldades de pagamento.