Os preços do petróleo continuam a subir nesta sexta-feira, 23 de outubro, refletindo a escalada do conflito na região do Oriente Médio. Os contratos futuros do Brent, referência global para o petróleo, avançaram US$ 1,40, ou 2,66%, atingindo US$ 116,10 por barril ao longo da tarde, após uma máxima de US$ 116,36, que representa o valor mais alto desde 1º de maio. Já o West Texas Intermediate (WTI), padrão de referência nos Estados Unidos, registrou alta de US$ 1,48, ou 2,96%, fechando a US$ 102,33 por barril.
O Brent, que vem apresentando uma trajetória de alta consistente, deve consolidar sua terceira semana consecutiva de valorização. Na sessão anterior, o petróleo Brent fechou com uma alta de 4%, ao atingir US$ 113,17 por barril — também o maior valor de fechamento desde o início de maio. Essas movimentações refletem a preocupação do mercado com a possibilidade de interrupções na oferta global de petróleo, diante do aumento das tensões na região.
A instabilidade na região do Oriente Médio se agravou após o ataque a um aeroporto próximo ao território saudita, que resultou na morte de duas pessoas. Em resposta aos eventos, a estatal petrolífera Saudi Aramco orientou seus funcionários a se retirarem da sede da empresa em Dhahran e a trabalharem remotamente na quinta-feira, 22 de outubro. Esta é a primeira vez desde o início do conflito envolvendo o Irã que a Aramco solicita a retirada de seus colaboradores de suas instalações principais, sinalizando o aumento do risco para operações na região.
Segundo Giovanni Staunovo, analista do UBS, o mercado permanece atento à possibilidade de uma escalada maior do conflito, o que poderia gerar novas interrupções no fornecimento de petróleo. A disputa envolve confrontos entre os houthis, apoiados pelo Irã, e uma coalizão liderada pela Arábia Saudita, que apoia oficialmente o governo reconhecido internacionalmente do Iêmen. Desde que os houthis avançaram em direção ao estreito de Bab el-Mandeb, uma via marítima crucial na entrada do Mar Vermelho, a preocupação com o impacto na navegação e na logística global aumentou significativamente.
Linh Tran, analista da XS.com, destacou que, se os ataques persistirem e continuarem a atrasar entregas, os preços do petróleo devem permanecer elevados. Essa perspectiva reforça a percepção de que as tensões na região têm potencial de manter os preços do petróleo em patamares elevados por um período prolongado.
Em meio a esse cenário de instabilidade, uma notícia que chamou atenção foi o carregamento de diesel russo com destino aos Estados Unidos. Segundo dados de rastreamento marítimo, o navio-tanque que transporta o combustível partiu de um porto russo e está a caminho de Nova York. Este é o primeiro carregamento desse tipo desde um acordo inesperado firmado entre Moscou e o governo dos Estados Unidos, anunciado pelo presidente Donald Trump neste mês. O acordo faz parte de uma estratégia do governo norte-americano para conter a alta dos preços do diesel, que vinha pressionando o mercado interno, especialmente com as eleições legislativas de meio de mandato previstas para o próximo mês.
O movimento do petróleo nesta sexta-feira reflete, assim, a combinação de fatores geopolíticos e econômicos que têm influenciado o mercado global de energia nos últimos dias, com a atenção voltada para o desdobramento dos conflitos no Oriente Médio e suas possíveis consequências na oferta mundial de petróleo.