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Banco Central mantém juros em 14% ao ano, mas sinaliza pausa no ciclo de cortes diante de fatores externos e internos

•Imagem de drone do prédio da sede do Banco Central em Brasília, 26 de dezembro de 2024. REUTERS/Ueslei Marcelino

Na última quarta-feira, 5 de setembro, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil anunciou a redução da taxa básica de juros, a Selic, em 0,25 ponto percentual, atingindo o patamar de 14% ao ano. Este foi o quarto corte consecutivo na política de juros, decidido de forma unânime pelos integrantes do Comitê. Apesar do movimento de afrouxamento monetário, a autarquia deixou em aberto a possibilidade de interromper o ciclo de cortes na reunião de setembro, sinalizando uma postura cautelosa frente a fatores internos e externos que podem afetar a trajetória da política monetária brasileira.

Especialistas ouvidos pelo CNN Money destacam que o próximo encontro do Copom deve ser acompanhado de atenção redobrada a diversos fatores. Entre eles, a situação geopolítica envolvendo conflitos no Oriente Médio, que elevam o preço do petróleo, além de questões climáticas, como o risco de eventos climáticos extremos relacionados ao fenômeno El Niño. Essas variáveis podem impactar a inflação e a atividade econômica, condicionando decisões futuras do Banco Central.

O economista-chefe da Porto Asset, Felipe Sichel, enfatiza a importância de acompanhar a divulgação da ata do Copom, prevista para esta terça-feira, 11 de setembro. Ele projeta que a Selic possa sofrer mais uma redução em 2026, encerrando o ano em torno de 13,75%. Segundo Sichel, a continuidade do ciclo de cortes depende de sinais de desaceleração da atividade econômica, de uma inflação controlada nos próximos dois meses e de um câmbio relativamente estável. Ele alerta que, se esses fatores se manterem, o Banco Central pode manter a política de redução de juros.

Quanto ao impacto dos conflitos no Oriente Médio, Sichel pondera que a alta no preço do petróleo representa um risco considerável. Um aumento no preço da commodity pode pressionar a inflação ao elevar os custos de produção e reduzir a renda disponível das famílias, o que, por sua vez, pode desacelerar o crescimento econômico enquanto mantém a inflação elevada, criando um cenário desconfortável para a autoridade monetária.

A economista-chefe para América Latina do BNP Paribas, Fernanda Guardado, ressalta que a expectativa de inflação para 2028 é um fator relevante na decisão do Banco Central. Ela sugere que uma pausa nos cortes de juros pode ser a estratégia mais prudente, dado o cenário de riscos climáticos, especialmente a possibilidade de intensificação do fenômeno El Niño, que pode afetar preços e a atividade econômica. Guardado também comenta o impacto das decisões de política monetária de bancos centrais estrangeiros, como o Federal Reserve dos Estados Unidos, que deve elevar juros em breve. Apesar de o Brasil estar em um patamar de juros mais elevado, ela observa que o país pode ser menos afetado por esses movimentos globais devido às suas características específicas.

Por sua vez, a economista-chefe do Ouribank, Cristiane Quartaroli, destaca a influência do cenário eleitoral brasileiro nos riscos de política monetária. Ela prevê que o Banco Central continuará realizando cortes graduais na Selic, “a conta-gotas”, apoiando-se na valorização do câmbio, que beneficia o controle da inflação. Segundo ela, a manutenção de uma tendência de valorização do real deve permitir uma política de juros mais flexível até o final do ano, especialmente considerando a resiliência da economia brasileira e o mercado de trabalho, que, apesar de sinais de desaceleração, ainda demonstra força.

Por fim, Arnaldo Lima, economista e líder de Relações Institucionais da Polo Capital, reforça a necessidade de equilíbrio na condução da política monetária, especialmente diante da desaceleração econômica e do aumento dos preços. Ele aponta que a elevada taxa de juros real prejudica o crescimento do PIB potencial de longo prazo e defende uma agenda de reformas que aumente a produtividade. Lima também destaca que a questão fiscal é um fator crucial para a trajetória da Selic, ressaltando que a confiança do mercado depende de sinais claros de estabilização da dívida pública e de um compromisso efetivo com o controle fiscal, especialmente após o período eleitoral.

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade