As taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DIs) registraram uma forte alta nesta quinta-feira, 15 de novembro, refletindo a expectativa do mercado diante da divulgação de uma nova pesquisa eleitoral e do avanço de propostas legislativas no Congresso Nacional. Os investidores reagiram ao levantamento divulgado na noite anterior pela Quaest, que aponta um cenário de empate técnico entre os candidatos à Presidência, além de aguardarem os resultados de uma pesquisa do Datafolha, prevista para ser divulgada ainda nesta quinta-feira. Esses fatores impulsionaram as taxas de juros futuras e fortaleceram a valorização do dólar frente ao real, marcando a terceira sessão consecutiva de altas nas taxas de juros de curto e longo prazo.
No fechamento da sessão regular, as taxas dos DIs para janeiro de 2028 atingiram 12,92%, com alta de 22 pontos-base em relação ao ajuste anterior de 12,704%. Para o vencimento de janeiro de 2035, a taxa subiu para 12,835%, também com incremento de 22 pontos-base, frente ao ajuste de 12,613% na sessão anterior. Essas variações refletem o aumento da percepção de risco e de incerteza em relação ao cenário eleitoral, além de uma expectativa de maior controle das contas públicas caso o senador Flávio Bolsonaro (PL) avance na disputa presidencial, embora seus porta-vozes ainda não tenham apresentado propostas concretas de ajuste fiscal.
A pesquisa Quaest divulgada na noite de quarta-feira mostrou Flávio Bolsonaro com 46% das intenções de voto no segundo turno, contra 44% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Considerando a margem de erro de 2 pontos percentuais, o cenário indica um empate técnico entre os candidatos. O levantamento também revelou que Flávio é rejeitado por 54% dos eleitores, enquanto Lula tem uma rejeição de 53%. Os indecisos representam 1%, e 9% afirmaram que votarão em branco, nulo ou não votarão. Essas informações reforçam a instabilidade na preferência do eleitorado e contribuem para a volatilidade nos mercados financeiros.
A expectativa de um possível avanço de Flávio Bolsonaro na corrida presidencial, aliado ao cenário de empate técnico, levou os agentes do mercado a considerarem a possibilidade de maior controle das contas públicas caso o candidato seja eleito. Apesar disso, seus apoiadores ainda não apresentaram propostas de ajuste fiscal concretas, o que mantém a incerteza sobre a trajetória econômica. Além do cenário eleitoral, o Senado Federal aprovou na noite de quarta-feira a proposta que extingue a escala de trabalho 6×1 e reduz a jornada semanal de trabalho, uma vitória do governo Lula em um tema de grande relevância na campanha eleitoral. Flávio Bolsonaro votou a favor da medida, após inicialmente defender que o governo deveria pagar uma compensação às empresas, sem abordar detalhes sobre impactos fiscais.
Na reta final da sessão, tanto o dólar quanto as taxas dos DIs atingiram as máximas do dia, impulsionados pela expectativa de divulgação da nova pesquisa Datafolha, prevista para esta quinta-feira à noite. Analistas ouvidos pela Reuters atribuíram a alta à ansiedade dos investidores, que realizaram lucros na semana passada e aproveitaram a oportunidade para comprar taxas mais elevadas. O noticiário econômico, incluindo dados do IBGE, passou a ocupar um papel secundário diante do foco na disputa presidencial. O instituto divulgou que as vendas no varejo tiveram um aumento de 0,1% em agosto na comparação com julho e cresceram 0,4% em relação ao mesmo mês do ano anterior, embora economistas tenham estimado altas de 0,7% na margem e de 1,45% no acumulado do ano.
O cenário externo também influenciou o mercado financeiro. Os rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos (Treasuries) recuaram devido às preocupações com uma possível desaceleração no crescimento da inteligência artificial e às apostas de que o Federal Reserve manterá suas taxas de juros estáveis no final do mês. Na manhã desta quinta-feira, os EUA divulgaram que os pedidos de auxílio-desemprego atingiram 199 mil na semana passada, quase alinhados às expectativas de 200 mil, enquanto as vendas no varejo tiveram alta de 0,8%, acima da previsão de 0,3%. Os preços ao produtor também avançaram 1,3% em setembro. Às 16h39 (horário de Brasília), o rendimento do Treasury de dez anos, referência global para decisões de investimento, caiu 10 pontos-base, atingindo 5,093%.