As principais bolsas de valores da Europa encerraram a sessão desta quinta-feira, dia 15 de novembro, com movimentos dispersos, refletindo um cenário de incertezas e volatilidade no mercado global. Enquanto ações relacionadas à inteligência artificial (IA) sofreram forte liquidação, o que contribuiu para pressionar o setor de tecnologia, a divulgação de dados de inflação nos Estados Unidos reforçou o receio de que o Federal Reserve (Fed), banco central norte-americano, possa elevar novamente as taxas de juros. Em contrapartida, os balanços de empresas limitaram as perdas, evitando uma queda mais acentuada nas principais praças financeiras do continente.
Os indicadores econômicos divulgados pelos Estados Unidos mostraram um aumento inesperado no índice de preços ao produtor (PPI), que subiu 1,3% em setembro, bem acima da previsão de 0,5%. Na comparação anual, o avanço foi de 6,3%. Além disso, o núcleo do PPI, que exclui itens mais voláteis como energia e alimentos, avançou 0,7% no mês, totalizando uma alta de 5% na mesma base de comparação. Esses números reforçam as preocupações com a persistência da inflação, o que pode levar o Fed a manter ou aumentar a intensidade do aperto monetário.
No cenário europeu, o índice de produção industrial da zona do euro apresentou queda de 0,5% em agosto, contrariando as expectativas de uma leve alta de 0,1%, indicando desaceleração na atividade industrial da região. Esse contexto contribuiu para o desempenho misto das bolsas locais, com alguns mercados registrando avanços enquanto outros recuaram.
Na Bolsa de Londres, o FTSE 100 fechou em alta de 1,08%, atingindo 10.840,35 pontos, impulsionado por expectativas de estabilidade e balanços positivos de algumas empresas. Em Frankfurt, o índice DAX subiu 0,27%, encerrando a 25.368,04 pontos, enquanto em Paris, o CAC 40 avançou 0,78%, fechando a 7.934,70 pontos. Já em Milão, o FTSE MIB recuou 0,72%, finalizando a 49.397,55 pontos, e em Madri, o Ibex 35 caiu 0,18%, a 19.195,40 pontos. Lisboa também apresentou baixa, com o PSI 20 perdendo 0,44%, a 9.373,82 pontos. Os números apresentados são preliminares.
No segmento de tecnologia, o índice Stoxx 600 de ações europeias recuou 1,4%, com destaque para a forte queda das empresas holandesas. A ASML, maior companhia do setor em valor de mercado na Europa, registrou uma baixa de 4%. ASM International e BE Semiconductor também tiveram quedas expressivas, de 7,1% e 5,4%, respectivamente. Na Alemanha, a Infineon caiu 5,1%, enquanto a STMicroelectronics perdeu 3,5%. Outras empresas do setor, como Siemens Energy, que recuou aproximadamente 2,1%, e a italiana Prysmian, com baixa de 2,7%, também sofreram perdas, refletindo a pressão vendedora sobre ações ligadas à infraestrutura de centros de dados.
Por outro lado, o setor de telecomunicações apresentou sinais de recuperação, com a sueca Ericsson saltando 7,2% após divulgar resultados de lucro acima do esperado, o que impulsionou o setor na região. Em Paris, a Pernod Ricard avançou 0,7%, após anunciar que a queda nas vendas de suas marcas, incluindo a vodka Absolut e o whisky Ballantine’s, foi menor que o previsto, apoiada pelo crescimento de 19% nas vendas na Índia, um dos mercados emergentes de destaque para a companhia.
Esses movimentos indicam um mercado europeu marcado por incertezas, influenciado por fatores internos e externos, incluindo os dados de inflação nos Estados Unidos, que continuam a gerar preocupações sobre uma possível elevação adicional das taxas de juros pelo Fed, e pelo desempenho de setores específicos, especialmente o de tecnologia e consumo.