As principais bolsas de valores da Europa fecharam a sessão desta terça-feira (13) predominantemente em queda, refletindo a pressão sobre as fabricantes de semicondutores e o impacto das oscilações nos preços do petróleo. O movimento de baixa ocorreu em um contexto de crescente preocupação com a concorrência chinesa no setor de tecnologia, especialmente após anúncios de avanços tecnológicos por empresas do país, que elevam o grau de competição global por inovação e participação de mercado.
Durante o dia, o mercado foi influenciado por fatores econômicos diversos, incluindo a evolução da inflação na Alemanha, que acelerou de 2,9% em agosto para 3,3% em setembro, ficando abaixo das expectativas de 3,4%. Essa variação indica uma leve pressão inflacionária no maior economia da Europa, embora ainda dentro de um patamar considerado controlado. Segundo analistas do Tickmill Group, os investidores continuam dispostos a financiar projetos de infraestrutura relacionados à inteligência artificial, porém, demonstram maior cautela, exigindo retornos mais elevados diante do aumento dos juros e da menor previsibilidade dos lucros no setor.
No mercado de ações, as perdas foram mais evidentes entre as fabricantes de chips. Empresas como ASML e ASM International registraram quedas de 3,9% e 5,6%, respectivamente. Outras companhias do setor, como Infineon e STMicroelectronics, também apresentaram recuos de 2,6% e 3,7%. O subíndice de tecnologia do índice Stoxx 600 caiu 1,5%, refletindo a liquidação global do setor após o anúncio da chinesa China Microelectronics Corporation (CXMT), que revelou avanços tecnológicos em memória que podem intensificar a competição internacional.
Por outro lado, o preço do petróleo teve uma influência de suporte ao mercado, uma vez que a recente queda nos preços ajudou a conter perdas e manteve o apetite por risco dos investidores. Ainda assim, o cenário geral permaneceu de cautela, com destaque para as ações de setores diversos. Em Londres, a BP subiu 3,5%, impulsionada pela expectativa de uma forte redução na dívida líquida no último trimestre e pela previsão de uma atualização de sua estratégia corporativa prevista para dezembro. Na França, a LVMH caiu 0,2% após divulgar vendas que ficaram aquém das projeções, enquanto a Publicis apresentou crescimento orgânico de 5% na receita líquida no terceiro trimestre, o que levou a uma alta de 2,3% nas ações.
Na Itália, o banco Monte dei Paschi de Siena avançou 0,7%, contestando o prêmio da oferta revisada do banco Intesa Sanpaolo, que manteve-se estável. Já a montadora Stellantis anunciou uma redução estimada de 1% nos envios globais de veículos no trimestre, resultando na queda de 1,3% de suas ações em Milão.
Este cenário reflete a combinação de fatores econômicos, geopolíticos e setoriais que continuam a influenciar o mercado europeu, destacando a sensibilidade do continente às mudanças nos preços do petróleo, às inovações tecnológicas e às dinâmicas de competição internacional.