A fabricante de componentes ópticos Starman Optical anunciou a aquisição de 90% da participação acionária da GoPro por um valor de US$ 285 milhões em dinheiro, numa operação que visa reestruturar a situação financeira da fabricante de câmeras de ação e ampliar suas possibilidades de atuação frente à crescente concorrência internacional e ao aumento nos preços de componentes essenciais. O negócio, divulgado nesta terça-feira (1º), envolve a compra de participação majoritária pela empresa privada de origem norte-americana, especializada na produção de transceptores ópticos utilizados em centros de dados de inteligência artificial (IA).
A transação contempla a liquidação de dívidas existentes da GoPro, além de proporcionar maior flexibilidade para a companhia explorar novos mercados, incluindo o setor militar, o mercado comercial e aplicações de inteligência artificial, aproveitando sua extensa carteira de mais de 2.500 patentes nos Estados Unidos, especialmente nas áreas de soluções ópticas e de imagem. Com o acordo, a fabricante de câmeras de ação manterá uma participação de 10% na empresa e continuará a operar normalmente, enquanto a Starman Optical passa a controlar a maior parte da companhia.
A repercussão do anúncio foi imediata no mercado financeiro, com as ações da GoPro registrando uma valorização superior a 50%. Elas passaram a ser negociadas a US$ 1,33, acima do preço de oferta de US$ 1,14 por ação, o que representou um prêmio de aproximadamente 29,5% em relação ao fechamento anterior. Essa reação indica que os investidores esperam uma possível oferta de compra mais elevada, demonstrando otimismo quanto ao potencial de reestruturação e crescimento da empresa após a aquisição.
Desde seu IPO em 2014, quando atingiu uma valorização de US$ 4 bilhões em seu primeiro dia de negociação, as ações da GoPro enfrentaram uma trajetória de queda, acumulando uma perda de cerca de 96% de valor ao longo dos anos. A crise financeira da companhia foi agravada pela forte concorrência de rivais chineses, como DJI e Insta 360, além de dificuldades internas na adaptação às mudanças do mercado de câmeras de ação. Como consequência, a receita da empresa caiu mais de 80% em relação ao pico de US$ 633,9 milhões registrado no último trimestre de 2014.
Recentemente, o aumento nos preços de chips de memória, impulsionado pela expansão da infraestrutura de IA e pelos investimentos de grandes empresas de tecnologia, pressionou ainda mais a situação financeira da GoPro. Em junho, a companhia chegou a emitir alertas sobre dúvidas substanciais quanto à sua continuidade operacional, diante do impacto dos custos elevados de componentes essenciais para seus produtos.
A aquisição também prevê a incorporação dos transceptores ópticos ao portfólio da GoPro, componentes que facilitam a transmissão de dados por meio de luz em redes de alta velocidade. Além disso, as empresas manifestaram a intenção de retomar, parcialmente, a produção de equipamentos ópticos essenciais nos Estados Unidos, embora sem estabelecer um cronograma preciso para esse processo.
Outro aspecto relevante do negócio é a estratégia de diversificação da GoPro, que, diferentemente de outras empresas do setor de tecnologia que têm voltado seus negócios para a inteligência artificial, pretende manter seu foco principal no mercado de consumo final. A companhia, atualmente com aproximadamente US$ 92 milhões em dívidas pendentes, continuará listada na bolsa de valores após a conclusão da operação, prevista para o final deste ano.
A operação, que marca uma reviravolta na trajetória da fabricante de câmeras, demonstra uma tentativa de reposicionamento estratégico diante de um cenário de alta competitividade e desafios econômicos, buscando ampliar suas possibilidades de crescimento e sustentabilidade no mercado global.