As vendas de automóveis na China registraram uma nova retração em setembro, frustrando as expectativas de uma recuperação no início do tradicional período de alta do mercado automotivo. Segundo dados divulgados pela China Passenger Car Association (CPCA) nesta segunda-feira, dia 12, o varejo de carros de passeio caiu 28,0% em relação ao mesmo mês do ano anterior, totalizando 1,62 milhão de unidades comercializadas. Apesar dessa queda expressiva, na comparação com agosto, houve uma ligeira alta de 5,0%, indicando alguma estabilidade temporária, mas sem sinais claros de uma retomada sustentada.
Este foi o décimo segundo mês consecutivo de redução nas vendas, demonstrando que o setor automotivo chinês ainda enfrenta um período de desaceleração, mesmo após anos de expansão acelerada e um desempenho robusto em 2022. A CPCA atribui esse cenário à diminuição na demanda por veículos movidos a combustíveis tradicionais, influenciada por fatores como os altos preços do petróleo e um ambiente de consumo mais fraco no país. Além disso, o aumento nos custos dos chips de memória, componentes essenciais na fabricação de veículos modernos, tem contribuído para atrasos no lançamento de novos modelos, o que impacta negativamente o volume de vendas total.
O setor automotivo chinês, que passou por uma fase de crescimento acelerado nos anos anteriores, encontra-se agora em um período de ajuste, com sinais iniciais de consolidação do mercado. Em meio a esse cenário, algumas empresas têm buscado estratégias de expansão no exterior. Em setembro, o Guangzhou Automobile Group anunciou sua intenção de adquirir uma participação de 50% na FAW Toyota, atualmente controlada pela FAW Group. Além disso, fabricantes como Geely e NIO firmaram parcerias para troca de baterias e infraestrutura de recarga, buscando fortalecer sua presença no segmento de veículos de nova energia (NEVs).
Os veículos de nova energia, incluindo elétricos e híbridos plug-in, continuam sendo os principais motores do mercado chinês, respondendo por uma fatia recorde de 67% das vendas totais em setembro. Contudo, mesmo nesse segmento, as vendas no varejo tiveram uma queda de 17%, totalizando aproximadamente 1,08 milhão de unidades comercializadas. Para compensar o arrefecimento do mercado doméstico, as fabricantes chinesas intensificaram suas exportações, que mais do que dobraram em setembro, enquanto as vendas externas de carros de passeio cresceram 74%, atingindo 917 mil unidades, conforme dados da CPCA.
A Tesla, uma das principais exportadoras do país, reportou a exportação de 30.529 veículos produzidos na sua fábrica de Xangai e vendeu 95.366 unidades no mês passado. Apesar dessas operações internacionais, a CPCA não prevê uma recuperação significativa para o mercado em outubro. O sentimento de consumo permanece fraco, com muitos compradores ainda cautelosos diante da guerra de preços entre as montadoras. Além disso, fatores como mudanças demográficas e os altos custos do petróleo podem continuar pressionando as vendas internas, enquanto a entidade também aponta para uma possível desaceleração nas exportações devido às tensões comerciais na União Europeia.