O ministro da Fazenda, Dario Durigan, declarou nesta sexta-feira (18), em entrevista à CNN, que o reajuste do Bolsa Família anunciado pelo governo não foi motivado por interesses eleitorais. Durigan reforçou que, se essa fosse a intenção do Executivo, a medida teria sido tomada anteriormente, antes do período eleitoral. A afirmação foi feita durante sua participação no evento CEO Fórum, realizado na Bahia, onde também destacou que o governo agiu de forma transparente ao divulgar a atualização do benefício poucos dias antes do primeiro turno das eleições.
O reajuste do programa social foi anunciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na quinta-feira (17), e passa a valer a partir da folha de pagamento de outubro. O governo federal elevou o valor mínimo do benefício de R$ 600 para R$ 691, enquanto o benefício médio estimado passou de R$ 675 para R$ 777. A correção de aproximadamente 15,04% foi calculada com base na inflação acumulada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) entre março de 2023 e agosto de 2026, segundo informações oficiais do governo.
Apesar do anúncio ocorrer 17 dias antes do primeiro turno das eleições, a proximidade com o pleito gerou críticas de adversários políticos e levantou questionamentos sobre o momento escolhido pelo Executivo para divulgar a medida. Uma representação chegou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) solicitando a suspensão do reajuste, mas o ministro André Mendonça rejeitou a ação sem analisar o mérito da questão.
Durigan também destacou que a atualização dos valores do Bolsa Família não representa uma despesa extraordinária para o governo. A estimativa de impacto financeiro é de aproximadamente R$ 5,8 bilhões em 2026 e cerca de R$ 22 bilhões em 2027. Para viabilizar o reajuste, o governo informou que fará ajustes no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA), que será enviado ao Congresso Nacional para incorporar os novos valores ao orçamento do programa.
A justificativa oficial para o aumento é a necessidade de recompor os valores do benefício de acordo com a inflação, sendo essa a primeira atualização desde a retomada do atual modelo do programa, em 2023. Contudo, o momento do anúncio permanece sendo alvo de debates, com especialistas e opositores discutindo os possíveis impactos políticos e econômicos da medida, além de seus efeitos sobre o desenho do programa social e as contas públicas do país.