A economia argentina apresentou um crescimento de 2,0% no segundo trimestre de 2023 em comparação ao mesmo período do ano anterior, conforme divulgado nesta quinta-feira (17) pelo Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec). Este resultado superou as projeções de analistas, que estimavam um avanço de 1,6% para o período de abril a junho, demonstrando uma recuperação mais robusta do que o esperado em meio a um cenário de reformas econômicas e medidas de austeridade implementadas pelo governo.
O crescimento registrado foi impulsionado principalmente pelos setores de mineração e agricultura, além do aumento nas exportações de bens e serviços. Segundo o relatório do Indec, o setor pesqueiro teve uma expansão expressiva de 45% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior, refletindo uma recuperação significativa na atividade de pesca. Além disso, as atividades de mineração e extração de pedreiras também apresentaram alta de 16%, contribuindo para o fortalecimento do setor primário da economia. A agricultura, incluindo pecuária, caça e silvicultura, cresceu 7%, indicando uma retomada na produção agrícola, que é uma das bases tradicionais do crescimento econômico argentino.
No âmbito do comércio exterior, as exportações de bens e serviços tiveram um aumento de 14% em relação ao mesmo período do ano anterior, enquanto as importações caíram 9%, o que favoreceu um saldo comercial mais favorável e contribuiu para o crescimento econômico do país. Esses números refletem uma melhora na competitividade das exportações argentinas e uma redução do déficit na balança comercial, fatores considerados positivos para a estabilidade macroeconômica.
Entretanto, nem todos os setores apresentaram desempenho positivo. A indústria manufatureira, que inclui a produção de bens de consumo e de capital, sofreu uma contração de 2% na comparação anual, uma das quedas mais acentuadas entre os principais setores econômicos do país. Além disso, em termos ajustados sazonalmente, o Produto Interno Bruto (PIB) apresentou uma retração de 0,6% em relação ao primeiro trimestre de 2023, marcando a primeira contração trimestral após um crescimento de 0,7% registrado de janeiro a março. Essa variação indica que, apesar do crescimento anual, a atividade econômica ainda enfrenta desafios de curto prazo.
Os dados divulgados pelo Indec fornecem uma visão abrangente do desempenho econômico sob o contexto das reformas promovidas pelo atual governo, liderado pelo presidente Javier Milei. Desde o início de seu mandato, a Argentina tem observado uma redução significativa na inflação, que recuou de níveis de três dígitos registrados no início do governo, graças às medidas de austeridade fiscal adotadas para conter déficits orçamentários crônicos. Essas ações fazem parte de um esforço mais amplo para estabilizar a economia e promover um crescimento sustentável a médio prazo, embora os resultados ainda apresentem volatilidade e desafios a serem superados.