A SpaceX está se preparando para realizar, ainda neste mês de agosto, o seu próximo teste de voo da nave Starship, com o objetivo de colocar em órbita os primeiros satélites atualizados do sistema Starlink e, posteriormente, recuperar a parte superior do foguete, conhecida como “nave” central, na Terra. A informação foi divulgada pelo CEO da empresa, Elon Musk, durante a primeira teleconferência sobre os resultados financeiros da SpaceX, realizada na terça-feira.
Este será o 14º voo de teste da Starship e representa um avanço significativo no desenvolvimento do foguete reutilizável. O último teste, realizado em julho, já havia demonstrado melhorias na capacidade de pouso da parte superior da nave sobre o Oceano Índico. Musk afirmou que, dependendo do desempenho do 13º voo, a SpaceX pode tentar recuperar a parte superior do foguete em terra neste próximo lançamento, o que marcará uma etapa importante na evolução do sistema.
A recuperação da parte superior do foguete é uma etapa crucial na estratégia da SpaceX de construir o primeiro sistema de lançamento orbital totalmente reutilizável do mundo. Essa tecnologia visa não apenas reduzir custos, mas também ampliar a capacidade de lançamentos frequentes, essenciais para a expansão da rede de banda larga Starlink, que a empresa pretende escalar de forma significativa. Além de sua importância comercial, o teste de pouso também é de grande interesse para a NASA, que planeja usar o foguete como módulo de pouso lunar em futuras missões.
A recuperação da nave após o próximo voo depende de aprovações regulatórias, que ainda estão em análise. Musk destacou que, se obtiverem a autorização, a SpaceX tentará capturar a nave com braços mecânicos gigantes acoplados à torre de lançamento no Texas, procedimento já realizado com o propulsor Super Heavy em três ocasiões, a última delas em março de 2025. A torre de captura, localizada na base de lançamento em Boca Chica, Texas, é projetada para prender o estágio superior após seu retorno, permitindo uma recuperação rápida e eficiente.
No cenário atual, o propulsor Super Heavy é recuperado no Golfo do México, após cada lançamento, enquanto a nave Starship é capturada na torre. Para o futuro, Musk planeja que a torre possa capturar simultaneamente ambos os componentes, com o Super Heavy sendo recolhido primeiro, para que a nave possa ser capturada aproximadamente 90 minutos depois de completar uma órbita ao redor da Terra. Essa estratégia visa aumentar a frequência de lançamentos, com projeções de que, em cerca de um ano, a SpaceX possa realizar pelo menos um voo por dia, ou até mais.
O próximo teste de voo da Starship tem como objetivo principal enviar ao espaço o primeiro lote de satélites Starlink V3, que prometem oferecer uma capacidade de banda larga até 10 vezes superior às gerações atuais. A meta final da SpaceX, conforme divulgado em seu prospecto de IPO, é lançar cerca de 60 satélites Starlink por missão, com dezenas de missões planejadas para transportar esses dispositivos ao espaço. Esses lançamentos, cada vez mais focados na operação com a própria frota da empresa, têm contribuído para que a receita oriunda do Starlink supere gradualmente os demais segmentos da SpaceX, refletindo uma crescente demanda por acesso ao espaço e uma escassez de lançamentos comerciais nos Estados Unidos.