O governo do Distrito Federal (DF) encaminhou ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), um pedido para obter acesso às informações relativas às quebras de sigilo bancário e fiscal do Banco Master e do Fundo Reag Investimentos. A iniciativa visa identificar recursos supostamente desviados do Banco de Brasília (BRB) durante a tentativa de aquisição do Banco Master, com o objetivo de solicitar a devolução dos valores envolvidos.
Segundo informações da Polícia Federal (PF), há indícios de que o BRB teria negociado a transferência de aproximadamente R$ 12,2 bilhões ao Banco Master na aquisição de ativos considerados “podres”, de acordo com as investigações relacionadas ao caso. Ainda não há uma estimativa precisa do prejuízo financeiro total para as contas públicas do Distrito Federal, uma vez que as investigações continuam em andamento.
A operação de compra do Banco Master foi rejeitada pelo Banco Central (BC) e atualmente está sob investigação do STF por suspeitas de fraude. O então presidente do BRB na época, Paulo Henrique Costa, encontra-se preso preventivamente em decorrência das apurações. A tentativa de aquisição também envolve a transferência de recursos considerados suspeitos, o que motivou a abertura de investigações por parte das autoridades.
Na petição apresentada na última quinta-feira (10), o governo do DF argumenta que há “indícios e evidências” de que crimes foram cometidos em prejuízo ao Banco Regional de Brasília. De acordo com o documento, o Banco Master teria sido utilizado para a prática de diversos delitos, o que torna passível a restituição imediata do patrimônio do banco, uma vez que os ativos podem ter sido obtidos de forma ilícita.
Além da busca por recursos, o governo do DF também tentou obter respaldo financeiro junto à União para mitigar os prejuízos. Para isso, solicitou a obrigatoriedade de um aval de até R$ 6,6 bilhões, financiado pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Essa medida buscava garantir um empréstimo que pudesse ajudar a cobrir parte do rombo financeiro.
O governo de Celina Leão (PP), então à frente da administração do DF, chegou a firmar um acordo preliminar com a União, que previa a garantia de recursos por grandes bancos, mas a operação enfrentou obstáculos e não avançou até o momento. A tentativa de assegurar esse empréstimo foi uma estratégia de emergência para tentar conter os impactos do suposto desvio de recursos e evitar um agravamento na crise financeira do BRB, que é uma das principais instituições financeiras do Distrito Federal.
A investigação envolvendo o caso continua em andamento, com o objetivo de esclarecer a extensão dos prejuízos e responsabilizar os envolvidos. A solicitação do DF ao STF reforça a gravidade das suspeitas de irregularidades na operação de compra do Banco Master, além de evidenciar o esforço do governo local em recuperar recursos públicos e assegurar a transparência nas operações financeiras que envolvem o patrimônio do Distrito Federal.