Os empregados da Caixa Econômica Federal decidiram continuar em greve por tempo indeterminado após rejeitarem, na noite desta sexta-feira (11), a proposta final apresentada pelo banco para a renovação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT). A paralisação teve início na quinta-feira (10) e, até o momento, representa uma contestação à proposta de negociação feita pela instituição financeira, que não foi aceita pelos trabalhadores.
De acordo com o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, 68% dos empregados que participaram da assembleia votaram contra a proposta final apresentada pela Caixa. A votação ocorreu após uma plenária virtual, na qual participaram 1.167 trabalhadores, que discutiram os termos propostos pelo banco e os riscos de uma possível judicialização do conflito. Este debate foi fundamental para esclarecer as implicações de uma eventual rejeição do acordo, além de reforçar a resistência dos funcionários às condições apresentadas.
Um dos principais pontos de divergência na negociação foi o plano de assistência à saúde dos funcionários, conhecido como Saúde Caixa. Segundo o sindicato, a Caixa tentou separar a discussão sobre o plano de saúde da renovação do ACT, uma estratégia que foi rejeitada pelos trabalhadores. A entidade sindical argumenta que essa tentativa de segmentar as negociações dificultou a obtenção de um consenso, além de gerar insegurança entre os empregados quanto à manutenção de seus direitos e benefícios.
O acordo também contempla cláusulas relacionadas à Participação nos Lucros e Resultados (PLR), vales-alimentação e refeição, além de outros direitos trabalhistas. Durante as negociações, a Caixa indicou que poderia retirar a proposta e levar o caso ao dissídio coletivo, caso os termos não fossem aceitos pelos empregados. Essa postura da instituição financeira foi vista pelos representantes sindicais como uma ameaça à negociação e uma tentativa de pressionar os trabalhadores a aceitarem condições desfavoráveis.
No primeiro dia de greve, aproximadamente 245 das 283 agências da Caixa na base de São Paulo, Osasco e Região permaneceram fechadas, além de quatro centros administrativos na capital paulista, conforme informações do sindicato. A paralisação impactou significativamente o funcionamento da instituição na região, evidenciando a força do movimento e a insatisfação dos funcionários com as condições propostas.
Por outro lado, o Banco do Brasil anunciou que já assinou o novo Acordo Coletivo de Trabalho, cujo prazo de vigência vai até 2028. Entre os pontos conquistados na negociação estão o adiantamento da PLR para 16 de setembro, uma contribuição patronal de R$ 360 milhões para a Cassi, além da ampliação da licença-paternidade de 20 para 35 dias. Essas conquistas demonstram um cenário diferente no contexto das negociações salariais e de benefícios do setor bancário público, em contraste com a situação na Caixa.
A resistência dos funcionários da Caixa evidencia o momento de tensionamento nas negociações coletivas do setor bancário público, refletindo a busca por melhores condições de trabalho e direitos garantidos. A continuidade da greve por tempo indeterminado reforça a posição dos trabalhadores de que não aceitarão condições que considerem prejudiciais ou insuficientes, enquanto o banco mantém sua postura de resistência às reivindicações.