O presidente da Secovi-SP, Jorge Cury, destacou nesta quarta-feira, 26 de outubro, que os altos níveis de juros e a atual situação fiscal do Brasil continuam sendo fatores que dificultam o crescimento do setor imobiliário e restringem o consumo no país. Segundo ele, esses elementos representam as maiores barreiras enfrentadas pelo mercado, impactando diretamente na capacidade de investimento do setor produtivo e na acessibilidade ao crédito imobiliário de longo prazo por parte das famílias brasileiras.
Após a última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), o juro real brasileiro atingiu 9,33%, ficando atrás apenas da Rússia, que lidera o ranking com 9,67%, conforme dados divulgados em agosto deste ano por uma parceria entre a MoneYou e a Lev Intelligence. Para Cury, essa taxa elevada limita significativamente a capacidade de investimento das empresas do setor imobiliário e dificulta o acesso das famílias às linhas de crédito de longo prazo, essenciais para a aquisição de imóveis. Ele afirmou que, embora o cenário seja desfavorável, encontrar soluções para essa situação representa um dos maiores desafios para o mercado imobiliário brasileiro.
Apesar de recentes reduções na taxa básica de juros, a Selic, que atualmente está em 14%, o setor tem demandado maior responsabilidade fiscal do governo para o próximo ano. Segundo o presidente da Secovi-SP, somente com uma gestão fiscal mais responsável será possível promover quedas mais sustentadas nas taxas de juros. Ele também reforçou a importância de reformas estruturais, como a tributária, que, na sua avaliação, encontra-se atualmente inaplicável na sua forma vigente, dificultando o ambiente de negócios e investimentos.
A discussão sobre o cenário fiscal e a carga tributária também foi reforçada pelo ex-presidente do Banco do Brics, Marcos Troyjo, durante o primeiro painel do dia. Troyjo comparou a política tributária brasileira com a de países mais desenvolvidos, como os Estados Unidos, onde há um processo de desregulamentação, desburocratização e corte de impostos. Segundo ele, enquanto nos EUA a carga tributária, expressa como percentual do Produto Interno Bruto (PIB), vem diminuindo, no Brasil ela atingiu, em agosto, um recorde de 32,4%, de acordo com dados revisados da Secretaria do Tesouro Nacional.
Troyjo alertou que esse elevado nível de tributação pode se tornar um obstáculo para atrair investimentos estrangeiros ao país, especialmente num momento em que o comércio chinês está se fechando e o capital global busca novas oportunidades de aplicação. Ele destacou que, diante desse cenário, o Brasil pode perder oportunidades de investimento para países onde o ambiente de negócios é mais favorável, como os Estados Unidos, que oferecem maior segurança jurídica, menor burocracia e uma carga tributária mais condizente com o desenvolvimento econômico.
Diante dessas condições, o setor imobiliário e o mercado de investimentos no Brasil permanecem atentos às mudanças na política fiscal e às ações governamentais que possam facilitar o acesso ao crédito e estimular o crescimento econômico. A expectativa é de que reformas estruturais e uma maior responsabilidade fiscal possam criar um ambiente mais favorável para o setor, promovendo maior competitividade e atraindo investimentos estrangeiros, especialmente em um contexto de maior interesse internacional por ativos brasileiros.