A Sequoia anunciou uma significativa reestruturação de seu modelo de negócios, concentrando suas operações em dois segmentos principais: a logística B2B voltada para grandes empresas e a logística de objetos bancários, que inclui cartões de débito, cartões de crédito e maquininhas de pagamento. Essa mudança resultou na redução de receita no curto prazo, mas a companhia projeta um crescimento expressivo nos próximos anos, com potencial de atingir uma receita de até um bilhão de reais.
Durante entrevista ao programa “Números Falam”, transmitido pelo NeoFeed em parceria com a CNN Brasil, o CEO Leopoldo de Bruggen e Silva detalhou que, até o ano passado, a Sequoia operava com três linhas de negócio distintas: o segmento B2C para comércio eletrônico, o B2B para grandes empresas e a logística de objetos bancários. A operação de B2C foi encerrada em abril, após a venda de todos os ativos relacionados a esse segmento e a transferência do centro de distribuição para o Mercado Livre, transação que gerou aproximadamente R$ 38 milhões à companhia. Segundo Leopoldo, a decisão de descontinuar essa linha impactou a receita da empresa, que já vinha apresentando declínio.
No segundo trimestre de 2023, a Sequoia registrou uma receita de R$ 137,8 milhões, além de realizar 21,2 milhões de entregas de objetos bancários, o que representa um crescimento de 7,9% em relação ao primeiro trimestre do mesmo ano. Leopoldo destacou que o segmento de maquininhas de pagamento tem potencial de crescimento substancial, uma vez que o Brasil possui aproximadamente 50 milhões de maquininhas instaladas atualmente, número que vem crescendo de forma contínua. Segundo o executivo, esse segmento tem potencial de quase dobrar a receita da área de objetos bancários, o que facilitaria à empresa alcançar facilmente a meta de uma receita de R$ 1 bilhão.
O executivo também apontou fatores estruturais que sustentam a demanda por cartões físicos no Brasil. Ele destacou que, até 2025, houve um crescimento de 10% na base de cartões no país, impulsionado pela bancarização de parcelas da população que anteriormente não tinham acesso a esse tipo de produto financeiro. Além disso, Leopoldo ressaltou que o Brasil já possui mais de um cartão de crédito por habitante, e que uma parcela significativa da população ainda prefere o uso de cartões físicos com senha, especialmente em transações de maior valor, reforçando a relevância desse segmento.
A Sequoia investiu na formação de um time de inovação e tecnologia, além de estabelecer diálogos diretos com seus principais clientes, os maiores bancos do Brasil, com o objetivo de identificar oportunidades de aprimoramento. Nesse contexto, o uso de inteligência artificial (IA) passou a desempenhar papel central nos processos internos da companhia. Um exemplo prático mencionado por Leopoldo é a validação em tempo real das fotos tiradas pelos entregadores no momento da entrega. A IA verifica se a imagem contém elementos como fachada, número do imóvel e portão, além de confirmar a latitude e longitude do entregador. Segundo o CEO, atualmente a tecnologia apresenta uma taxa de acerto de cerca de 80%.
A operação da Sequoia conta com 412 franquias e mais de 5 mil entregadores, atendendo aproximadamente 1.600 cidades em todo o Brasil. A taxa de sucesso nas entregas supera 97%, índice considerado pelo executivo como “top da indústria”. Para efeito de comparação, Leopoldo citou que a taxa de insucesso do agente postal tradicional é de cerca de 30%, enquanto a da Sequoia é inferior a 8%. A meta da companhia é expandir sua malha de atendimento para 2 mil cidades num futuro próximo, consolidando sua presença no território nacional.
A estratégia de foco na logística bancária aliada à inovação tecnológica busca consolidar a posição da Sequoia no mercado e sustentar o crescimento projetado, mesmo com a saída do segmento B2C. A empresa aposta na crescente demanda por cartões físicos e na expansão do uso de maquininhas de pagamento, além do avanço de suas soluções com inteligência artificial, para atingir a meta de receita de um bilhão de reais nos próximos anos.