A inflação ao consumidor no Japão apresentou uma aceleração em julho, indicando uma possível necessidade de elevação da taxa básica de juros pelo Banco do Japão (BoJ). Os dados divulgados nesta sexta-feira (21) revelaram que o núcleo da inflação, que exclui os preços voláteis de alimentos frescos, cresceu 1,8% na comparação anual, alinhando-se às previsões do mercado. Este aumento ocorre em um contexto de custos crescentes das importações, impulsionados pela desvalorização do iene e pelos efeitos do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, que têm pressionado os preços domésticos.
O índice de preços ao consumidor, que inclui itens relacionados à energia, mas exclui alimentos frescos, subiu de 1,6% em junho para 1,8% em julho. Apesar do avanço, o índice permanece abaixo da meta de 2% estabelecida pelo Banco do Japão, marcando o sétimo mês consecutivo de inflação abaixo do objetivo. Grande parte dessa estabilidade decorre dos subsídios governamentais destinados a conter os custos dos combustíveis, que têm ajudado a moderar a alta dos preços.
Analistas do mercado financeiro preveem que a inflação núcleo deverá superar a meta do BoJ nos próximos meses. Essa expectativa é alimentada pelo aumento do repasse dos custos das matérias-primas às empresas, o que se reflete em uma inflação crescente no setor de atacado. Especialistas também apontam que a tensão geopolítica no Oriente Médio, que voltou a se intensificar, deve elevar os preços do petróleo, pressionando ainda mais os custos internos e contribuindo para uma aceleração da inflação ao consumidor.
Segundo Masato Koike, economista sênior do Sompo Institute Plus, a renovada instabilidade na região deve impulsionar o aumento dos preços do petróleo e, por consequência, ampliar as pressões inflacionárias no Japão, especialmente em um cenário de desvalorização do iene. Koike destacou que, diante desse quadro, é provável que o Banco do Japão aumente sua taxa de juros na reunião agendada para os dias 17 e 18 de setembro, elevando-a de 1% para 1,25%.
Outro indicador relevante, que exclui tanto os preços de alimentos frescos quanto os de combustíveis — considerado um parâmetro mais preciso da inflação subjacente —, apresentou alta de 1,9% em julho na base anual, ante 1,7% em junho. Este dado reforça a tendência de aceleração inflacionária no país.
Após elevar sua taxa básica de juros para 1% em junho, o maior patamar em 31 anos, o Banco do Japão decidiu manter a política monetária inalterada em julho. Contudo, a instituição divulgou comentários mais contundentes acerca do risco crescente de inflação, sinalizando uma possível mudança de postura. Fontes próximas ao banco informaram à Reuters que há uma expectativa de aumento dos juros já na próxima reunião e que o BoJ estaria considerando aumentos mais agressivos no ritmo de elevação, que atualmente ocorre aproximadamente duas vezes ao ano.
Por fim, o aumento recente na inflação no atacado, que atingiu 7,2% em julho em comparação ao mesmo mês do ano anterior, evidencia a pressão crescente sobre os preços internos, impulsionada pelo conflito no Oriente Médio. Analistas avaliam que esse cenário deve resultar em uma elevação dos preços ao consumidor com certo atraso, reforçando a possibilidade de uma política monetária mais restritiva por parte do Banco do Japão nos próximos meses.