Os preços do petróleo registraram uma pequena queda na sexta-feira (20), após uma semana marcada por oscilações que refletiram a intensificação das tensões entre Estados Unidos e Irã. Apesar de uma valorização observada na véspera, que impulsionou a cotação do Brent e do WTI para seus níveis mais altos em quase um mês, a possibilidade de novas sanções econômicas contra o Irã voltou a exercer pressão de baixa sobre o mercado de commodities.
Ao longo do dia, o mercado foi impactado por dados que evidenciam a redução do tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz, uma das principais vias de passagem de petróleo no mundo. Na quinta-feira, apenas sete navios mercantes cruzaram o estreito, uma quantidade equivalente à metade do número registrado no dia anterior, segundo informações da empresa de rastreamento de navios Kpler. Essa queda acentuada contrasta com o fluxo habitual de mais de 130 embarcações diárias antes do início do conflito, há quase seis meses, evidenciando o impacto das tensões militares e diplomáticas na região.
Desde o início do conflito, em meados de 2023, os Estados Unidos e o Irã tentaram estabelecer acordos de cessar-fogo para garantir o livre trânsito de navios pelo Estreito de Ormuz, uma estratégia que visava aliviar as tensões e evitar uma escalada militar. Foram duas tentativas de acordos de trégua, ocorridas em abril e junho, mas ambos os esforços não resistiram às pressões e às ações de ambos os lados, resultando na retomada de hostilidades e na intensificação das sanções econômicas contra o Irã.
Na noite de quarta-feira, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reforçou a postura de sua administração ao ameaçar o Irã com uma “guerra econômica e isolamento em escala sem precedentes”. Essa declaração elevou a tensão no mercado de petróleo, levando o Brent a subir US$2,16, ou 2,4%, fechando a US$93,78 por barril, o maior valor desde 24 de julho. O contrato futuro do petróleo WTI, referência para o mercado norte-americano, também avançou US$2, ou 2,3%, encerrando a US$87,83 por barril, atingindo o nível mais alto desde a mesma data.
Apesar do impacto internacional, o mercado brasileiro de petróleo não sofreu uma reação tão forte. As ações das petroleiras brasileiras na bolsa de valores continuaram em alta, apoiadas por notícias relacionadas à expansão de atividades internacionais da Petrobras. A estatal anunciou interesse na exploração de blocos offshore na Bacia de Keta, em Gana, na África Ocidental. Segundo a Petrobras, o Ministério de Energia e Transição Verde de Gana aprovou o pedido da companhia, que agora está na fase de negociações para os contratos de exploração.
A iniciativa faz parte da estratégia da Petrobras de recompor suas reservas de óleo e gás, explorando novas fronteiras tanto no Brasil quanto no exterior, conforme detalhado em seu Plano de Negócios. A entrada da estatal no mercado ganense representa uma tentativa de diversificação de ativos e de fortalecimento de sua presença internacional, mesmo diante de um cenário global de instabilidade e tensões geopolíticas que impactam o mercado de energia mundial.