O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou que sua carteira de ações gerou um lucro de R$ 57,4 bilhões desde o início de 2023, resultado que reflete a valorização das participações do banco em diversas empresas brasileiras. Segundo o diretor financeiro e de Mercado de Capitais da instituição, Alexandre Abreu, esse montante foi obtido principalmente por meio da valorização das ações e do recebimento de dividendos e juros sobre o capital próprio, somando R$ 14,8 bilhões nesse período.
Durante entrevista a jornalistas, Abreu destacou que o banco recebeu, nesse mesmo intervalo, R$ 14,8 bilhões em dividendos e juros sobre o capital próprio provenientes de empresas investidas, incluindo nomes de grande expressão no cenário econômico nacional, como JBS e Petrobras. Esses dividendos representam uma parcela significativa da rentabilidade obtida pelo BNDES, reforçando a importância de suas participações em setores estratégicos da economia brasileira.
O diretor também abordou a questão das estratégias de venda de participações em empresas. Segundo ele, houve uma pressão por parte de setores internos e externos para que o banco vendesse suas ações, especialmente após o governo anterior, liderado por Jair Bolsonaro, ter realizado uma venda expressiva de participações em várias empresas, reduzindo a presença do banco no mercado acionário. Contudo, a avaliação realizada no início do mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi de que os valores das ações estavam abaixo do seu valor real e, portanto, não justificavam a realização de vendas naquele momento.
Abreu explicou que, por essa razão, o BNDES optou por manter suas participações e só recentemente passou a se desfazer de ações de empresas consideradas maduras, ou seja, com maior estabilidade e menor potencial de crescimento. Ele afirmou ainda que, se o banco tivesse optado por vender essas ações anteriormente, teria deixado de obter um lucro de aproximadamente R$ 57 bilhões. Essa decisão de manter as participações foi fundamentada na expectativa de valorização futura e na busca por maximizar os retornos para o banco e, por consequência, para o desenvolvimento econômico do país.
No resultado divulgado referente ao primeiro semestre de 2023, o banco destacou efeitos não recorrentes, incluindo a venda de ações que totalizaram R$ 3,9 bilhões. Desse montante, R$ 2,8 bilhões foram provenientes da Petrobras e R$ 0,8 bilhão da Copel. Além dessas operações, o resultado também contabilizou receitas de dividendos e juros sobre o capital próprio de R$ 1,6 bilhão, oriundos, principalmente, de Petrobras e JBS, reforçando a estratégia de rentabilização das participações do banco no mercado de capitais.
Esses números evidenciam a importância da gestão de ativos do BNDES e demonstram que, apesar das pressões por desinvestimentos, a estratégia de manter participações em empresas maduras tem se mostrado bastante lucrativa para a instituição, contribuindo significativamente para seus resultados financeiros e para o fortalecimento de sua atuação no desenvolvimento econômico do Brasil.