O CEO do YouTube, Neal Mohan, declarou que a plataforma de vídeos não pretende aderir ao acordo multiestadual firmado pela Meta, reforçando que o YouTube já possui iniciativas e mecanismos internos voltados à proteção dos usuários jovens. Em entrevista à CNN durante o evento anual Made on YouTube, Mohan destacou que a empresa tem investido há bastante tempo em garantir a segurança de seus usuários mais jovens, e que continuará focada nessas questões.
A Meta, por sua vez, assinou um acordo de 18 bilhões de dólares com vários estados americanos, uma iniciativa considerada histórica, para resolver alegações de que suas plataformas, incluindo Facebook e Instagram, contribuíram para uma crise de saúde mental entre adolescentes. O acordo visa implementar mudanças como limites de tempo de uso, a remoção da contagem de “curtidas” para usuários menores de idade e a supervisão de terceiros nas práticas de segurança, além de incluir uma indenização de aproximadamente 18 bilhões de dólares.
A Meta tem pressionado concorrentes, como YouTube e TikTok, a adotarem medidas semelhantes às previstas no seu acordo, buscando estabelecer um padrão mais rigoroso de proteção aos jovens. Apesar das tentativas, Mohan afirmou que o YouTube não vê necessidade de aderir ao acordo, reforçando que a plataforma já possui políticas e recursos para lidar com essas questões. Ele ressaltou que a prioridade do YouTube é continuar aprimorando suas ações internas de segurança, sem a necessidade de seguir o modelo adotado pela Meta.
O posicionamento de Mohan ocorreu durante o evento, que também trouxe novidades relativas às funcionalidades da plataforma, incluindo novas ferramentas baseadas em inteligência artificial e recursos de mensagens voltados tanto para criadores quanto para espectadores. Essas atualizações visam melhorar a experiência na plataforma e reforçar o compromisso do YouTube com a segurança e o bem-estar de seus usuários.
O acordo firmado pela Meta foi negociado no contexto de um processo judicial envolvendo vários estados americanos, que alegam que as plataformas da empresa contribuíram para uma crise de saúde mental entre adolescentes. A iniciativa também buscou estabelecer um precedente na indústria, com a Meta promovendo o acordo como uma medida pioneira na proteção dos jovens. Para isso, a empresa se comprometeu a pagar cerca de 70% do valor total da indenização, condicionando o restante à adesão de plataformas concorrentes, como TikTok e YouTube, às mesmas condições de pagamento e implementação de mudanças semelhantes.
O procurador-geral da Califórnia, Rob Bonta, declarou que os estados estão preparados para levar o TikTok e o YouTube aos tribunais, caso essas plataformas não cumpram as obrigações assumidas no acordo. A postura reforça a expectativa de que, apesar das declarações do YouTube de priorizar suas ações internas, a pressão por mudanças regulatórias e judiciais permanece forte na tentativa de estabelecer um padrão mais uniforme de segurança digital para os jovens usuários das redes sociais.