A possibilidade de receber pagamentos de clientes internacionais deixou de ser uma exclusividade de grandes corporações e passou a beneficiar também pequenos negócios, profissionais autônomos, exportadores e prestadores de serviços. Atualmente, é viável realizar transações financeiras em diversas moedas estrangeiras, como euro, libra esterlina, dólar canadense, dólar australiano e franco suíço, entre outras, por meio de diferentes estruturas e instituições financeiras autorizadas pelo Banco Central do Brasil.
Para efetuar esses recebimentos, o procedimento geralmente envolve transferências internacionais, que utilizam códigos como IBAN e SWIFT, além de possíveis operações de câmbio para conversão dos valores recebidos. O Banco Central permite que pessoas físicas e jurídicas realizem operações de compra e venda de moeda estrangeira sem limites de valor, desde que sigam a legislação e as regras cambiais vigentes. Essas operações exigem a identificação do cliente e a finalidade da transação, garantindo a conformidade com a regulamentação.
O primeiro passo para quem deseja receber valores em moedas estrangeiras é escolher uma instituição autorizada a operar no mercado de câmbio e verificar quais moedas e modalidades de recebimento estão disponíveis. No caso de transferências internacionais tradicionais, o beneficiário deve fornecer dados bancários corretos ao pagador estrangeiro, que incluirão, na maioria dos casos, o código IBAN, que identifica uma conta bancária em transferências internacionais, e o código SWIFT ou BIC, que identifica a instituição financeira envolvida na operação. Os requisitos específicos podem variar conforme o país de origem e o banco do pagador.
No Brasil, o banco Inter oferece uma solução prática por meio do seu aplicativo, o Super App, onde o cliente pode consultar os dados necessários para a transferência, obtendo-os diretamente na plataforma. Para realizar a operação, o usuário deve acessar o menu de câmbio, selecionar a moeda desejada e obter os dados bancários que deverão ser compartilhados com o pagador. Após o envio do valor, a operação precisa ser aprovada pelo beneficiário e, uma vez confirmada, o crédito na conta ocorre até o final do dia útil seguinte, dependendo do prazo informado pelo banco de origem.
O custo total de uma operação de recebimento internacional varia conforme a estrutura utilizada, a moeda envolvida, a instituição financeira e o método de conversão do valor. O Banco Central determina que as instituições financeiras divulguem o Valor Efetivo Total (VET) nas operações em que essa informação seja aplicável. O VET considera a taxa de câmbio, tarifas, tributos incidentes e demais custos envolvidos, permitindo ao cliente avaliar o custo real da operação.
Especialistas destacam que, no caso do Inter, não há cobrança de tarifa específica para o recebimento de moeda estrangeira por meio do canal bancário, embora custos adicionais possam surgir em etapas posteriores, dependendo do tipo de operação. Além disso, a modalidade de recebimento deve ser escolhida conforme o perfil da operação: recebimentos ocasionais de um cliente europeu diferem de pagamentos recorrentes de clientes na Europa, no Reino Unido ou nos Estados Unidos.
Para operações de câmbio que envolvem conversão para reais, o procedimento é indicado quando o recurso será utilizado no Brasil. Já quem possui fluxo constante em uma moeda estrangeira pode optar por abrir uma conta em moeda estrangeira, o que permite manter o saldo na moeda original e facilitar pagamentos internacionais ou operações de manutenção de recursos no exterior. A disponibilidade dessa modalidade depende da oferta da instituição financeira escolhida e das regras cambiais do Banco Central.
O recebimento de recursos do exterior pode ocorrer por diversos meios autorizados, incluindo ordens de pagamento por instituições financeiras credenciadas. Para transferências internacionais, o código IBAN identifica a conta beneficiária, enquanto o código SWIFT/BIC identifica a instituição financeira receptora. Essas informações devem ser obtidas diretamente com o banco do beneficiário e compartilhadas com o pagador para garantir a correta tramitação da operação.
Após o envio do recurso pelo pagador, o beneficiário deve acessar o aplicativo do banco, consultar as ordens de recebimento pendentes, informar o motivo da operação e confirmar o recebimento. No caso do banco Inter, o prazo para que o valor seja creditado na conta costuma ser de até dois dias úteis, dependendo da liquidação da moeda e das instituições envolvidas na transferência.
A documentação exigida para esses recebimentos varia conforme o valor e a natureza da operação. Para valores superiores a US$ 8 mil, pode ser solicitado invoice, enquanto operações acima de US$ 15 mil geralmente requerem também contrato. Outros documentos podem ser solicitados conforme a análise da operação pelo banco.
Quando há conversão de moeda estrangeira para o real, o Banco Central considera essa operação como uma compra ou venda de moeda estrangeira, sujeita às regras cambiais. O VET, por sua vez, fornece uma visão mais completa do custo efetivo, incluindo taxas de câmbio, tarifas e tributos, ajudando o cliente a entender o real impacto financeiro da operação.