A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) teve uma presença destacada no 61º Congresso da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (MedTrop 2026), realizado entre os dias 16 e 19 de agosto em Brasília, com foco no tema “Saúde nos trópicos: uma visão integradora sob a perspectiva do Sul Global”. O evento reuniu especialistas, pesquisadores, gestores e estudantes de diversos países, totalizando mais de 3 mil participantes de 20 nações, para discutir os principais desafios relacionados às doenças tropicais, às mudanças climáticas, à urbanização e às desigualdades no acesso à saúde.
Durante o congresso, a Fiocruz participou ativamente da organização, com mais de 70 palestrantes de diferentes unidades da instituição, além de oferecer cursos pré-congresso, como os de Boas Práticas Clínicas e Gerenciamento de Projetos, promovidos pela Vice-Presidência de Pesquisa e Coleções Biológicas (VPPCB). O estande da Fundação recebeu centenas de visitantes por dia, servindo como espaço de divulgação de suas ações e avanços no campo da saúde tropical.
O presidente do congresso e da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (SBMT), Gustavo Adolfo Sierra Romero, destacou a necessidade de revisar o modelo de desigualdade social vigente, ressaltando que a saúde deve ser um vetor de transformação social. Segundo ele, “a saúde é o vetor transformador que a sociedade tem na mão para mudar seu destino e o povo brasileiro e os povos do mundo estão reivindicando uma mudança radical nas relações de poder econômico”.
A vice-presidente de Pesquisa e Coleções Biológicas da Fiocruz, Alda Maria da Cruz, representou o presidente da instituição, Mario Moreira, que enviou uma mensagem de vídeo ressaltando a importância do tema desta edição para as ações da Fundação. Ela destacou que o enfrentamento das doenças nos trópicos é profundamente influenciado pelas desigualdades sociais, e que o MedTrop serve como uma oportunidade de fortalecer a ciência e a cooperação entre pesquisadores, profissionais, gestores e estudantes, promovendo soluções para o Sistema Único de Saúde (SUS). Alda Cruz reforçou o compromisso da Fiocruz com uma ciência voltada à equidade, ao acesso universal, à cooperação internacional e à soberania científica.
No âmbito da participação na comissão organizadora, a Fiocruz contribuiu com a realização de atividades no pré-congresso, incluindo cursos e palestras voltados à atualização de profissionais da saúde. Entre as ações, destacou-se a homenagem aos pesquisadores Lileia Diotaiuti e João Carlos Pinto Dias (in memoriam), reconhecidos por suas contribuições ao entendimento dos barbeiros e estratégias de vigilância e controle da doença de Chagas. Seus estudos enfatizam a importância de espécies nativas de triatomíneos e a necessidade de uma vigilância entomológica contínua, em substituição às ações pontuais.
A Fundação também promoveu atividades de formação, como cursos sobre alterações ambientais e ecoepidemiologia no contexto da vigilância de triatomíneos, além de palestras sobre inteligência artificial na elaboração de artigos científicos e condições pós-Covid, abordando aspectos fisiopatológicos e diretrizes do SUS. Pesquisadores da Fiocruz Minas participaram de mesas-redondas e estudos de campo, abordando temas como efetividade de vacinas contra dengue, malária na região extra-Amazônica, e interação entre vetores e patógenos, além de projetos de pesquisa em laboratório e estudos epidemiológicos.
O Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos/Fiocruz) apresentou seu portfólio de medicamentos voltados ao tratamento de doenças negligenciadas, como tuberculose, malária, esquistossomose e hepatite, além de debater avanços no desenvolvimento de medicamentos pediátricos contra esquistossomose. A participação do instituto reforçou a importância de inovação na produção de medicamentos para áreas endêmicas.
A Fiocruz Pernambuco ofereceu cursos de genômica aplicada à vigilância viral, além de promover discussões sobre a importância dos laboratórios de referência em doenças negligenciadas e coleções biológicas. Destacou-se a exposição da Coleção de Yersinia pestis e uma roda de conversa sobre a relevância das coleções biológicas para a pesquisa e o controle de doenças.
O Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz) apresentou materiais educativos, incluindo um game sobre vacinas e estudos clínicos, reforçando seu papel na pesquisa e na vigilância pós-registro de produtos de saúde. O Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), que completa 126 anos de atuação, destacou seus programas de pós-graduação, incluindo o tradicional de Medicina Tropical, além de homenagear a pesquisadora Alzira Almeida, que recebeu a medalha José Rodrigues Coura de mérito científico.
Pesquisadores do Centro de Estudos Estratégicos (CEE-Fiocruz) participaram de debates sobre saúde global, políticas públicas e desafios emergentes, enquanto a Fiocruz Mata Atlântica coordenou uma mesa-redonda sobre a epidemiologia da raiva, abordando aspectos de uma só saúde e estratégias de controle. As atividades também envolveram a apresentação de coleções biológicas, promovendo a interação do público com materiais de pesquisa da instituição.
A participação da Fiocruz no MedTrop 2026 reforçou seu compromisso com a pesquisa, a inovação e a cooperação internacional na área de saúde tropical, contribuindo para o fortalecimento do Sistema Único de Saúde e para o desenvolvimento de soluções científicas frente aos desafios do Sul Global. O próximo encontro está previsto para acontecer em Natal, em agosto de 2027.