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Autoridades tranquilizam sobre risco da febre do Nilo Ocidental no Brasil e no mundo

A febre do Nilo Ocidental, doença viral pouco comum no Brasil, tem recebido atenção devido à confirmação de alguns casos em São Paulo e outros estados, embora especialistas afirmem que não há motivo para alarme generalizado. Conhecida na África há pelo menos 90 anos, a infecção tem se espalhado em algumas regiões do Brasil, com dois casos confirmados no estado de São Paulo — uma mulher de 34 anos, residente em Ribeirão Preto, que já está curada após viajar à região amazônica, e uma adolescente de 18 anos, de São José do Rio Preto, que permanece internada sob cuidados médicos. Além disso, o Ministério da Saúde confirmou dois casos em Santa Catarina, um deles resultando em óbito, e há um caso provável no Piauí, reforçando a necessidade de vigilância contínua.

De acordo com o infectologista do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, Furtado da Costa, embora existam casos confirmados e uma morte relacionada à doença, a maioria das pessoas infectadas apresenta quadros leves. Menos de 1% dos infectados evoluem para formas graves que possam causar complicações neurológicas, como encefalite ou meningite. Ele destaca que, apesar de a doença não ser uma preocupação comum no Brasil, é fundamental monitorar a ocorrência de casos e manter vigilância epidemiológica, especialmente em relação às aves e locais com mortalidade anormal de aves, que podem indicar a circulação do vírus.

A transmissão da febre do Nilo Ocidental ocorre principalmente por meio da picada do mosquito do gênero Culex, como pernilongos ou muriçocas. Esses mosquitos adquirem o vírus ao se alimentarem de aves infectadas, que atuam como reservatórios naturais do vírus. Quando picam humanos, podem transmitir a infecção. Os sintomas podem variar de uma febre passageira a quadros mais graves, incluindo inflamações no cérebro e nas meninges, que demandam avaliação médica imediata e, em casos severos, internação hospitalar em unidades de terapia intensiva. O tratamento concentra-se na reposição de líquidos, suporte respiratório e manejo de complicações, uma vez que não há vacina ou antiviral específico disponível para humanos.

O diagnóstico da doença é realizado por meio de avaliação clínica e exames laboratoriais, especialmente em pessoas com sintomas compatíveis e histórico de exposição a áreas com presença do mosquito vetor. Segundo o especialista, a pesquisa por uma vacina ainda está em fase inicial, uma vez que o número de casos no mundo é bastante reduzido em comparação a outras arboviroses, como dengue, zika e chikungunya, que apresentam incidências muito maiores.

As autoridades de saúde continuam investigando os casos confirmados, buscando identificar os locais de provável infecção e orientar a população quanto às medidas preventivas. A diretora do Centro de Vigilância Epidemiológica Prof. Alexandre Vranjac (CVE-SP), Tatiana Lang D’Agostini, reforça que as equipes municipais e estaduais estão atuando na investigação e monitoramento da situação. O Ministério da Saúde também mantém a vigilância epidemiológica e laboratorial, com o objetivo de identificar possíveis novos casos e áreas de transmissão, diante do cenário internacional e nacional, em que a doença vem sendo registrada em diferentes regiões do país.

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade