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China mantém taxas de empréstimos pelo 15º mês consecutivo em agosto

•7 de maio de 2025. REUTERS/Tingshu Wang

A China anunciou nesta quinta-feira, 20 de agosto, a manutenção das suas taxas referenciais de empréstimos pelo 15º mês consecutivo, em linha com as expectativas do mercado financeiro. Essa decisão reflete uma postura de estabilidade na política monetária do país, enquanto as autoridades continuam a priorizar medidas fiscais para sustentar o crescimento econômico, ao invés de implementar novos cortes nas taxas de juros.

As taxas primárias de empréstimo (LPRs, na sigla em inglês) permaneceram inalteradas, indicando uma estratégia de cautela por parte do Banco Popular da China (PBOC). A taxa de um ano foi mantida em 3,00%, enquanto a de cinco anos permaneceu em 3,50%. Essa estabilidade foi prevista por todos os 25 participantes de uma pesquisa conduzida pela Reuters nesta semana, que também apontou que o mercado não esperava mudanças nas taxas neste momento.

A decisão ocorre em um contexto de sinais de fraqueza na economia doméstica. Dados divulgados em julho revelaram que a produção industrial, as vendas no varejo e os empréstimos apresentaram desempenho abaixo do esperado, evidenciando uma demanda interna persistentemente fraca na segunda maior economia do mundo. Além disso, os novos empréstimos em yuan registraram uma contração recorde no mês de julho, ficando abaixo das previsões do mercado. Fatores sazonais e uma demanda por crédito mais fraca por parte das famílias contribuíram para esse recuo, indicando dificuldades no estímulo ao consumo e ao investimento.

No âmbito político, os líderes chineses reafirmaram seu compromisso de apoiar a economia por meio de uma aceleração nos gastos fiscais, especialmente em projetos de infraestrutura já orçados para o restante do ano. Essa estratégia foi delineada na reunião do Politburo de julho, onde foi decidido evitar a implementação de novas medidas de estímulo de grande porte, preferindo focar na execução de ações já planejadas.

O Banco Central da China, por sua vez, declarou na semana passada que manterá uma postura monetária “adequadamente flexível” e que adotará medidas práticas e eficazes conforme a necessidade. Contudo, o banco não sinalizou cortes explícitos nas taxas de juros de referência ou na taxa de compulsório dos bancos, indicando uma postura de contenção diante das condições econômicas atuais.

Este cenário evidencia uma tentativa das autoridades chinesas de equilibrar a necessidade de estímulo econômico com a cautela de não comprometer a estabilidade financeira, especialmente considerando o ambiente de margens de lucro próximas a mínimos recordes enfrentados pelos bancos comerciais. A continuidade da manutenção das taxas de empréstimo reforça a estratégia de suporte fiscal como principal ferramenta de estímulo, ao mesmo tempo em que reflete as incertezas e desafios que a economia chinesa enfrenta atualmente.

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade