As Casas Bahia anunciaram, por meio de fato relevante divulgado nesta segunda-feira (27), que protocolaram um pedido de recuperação judicial, aprovado previamente pelo conselho de administração e pelo acionista controlador da companhia. A medida foi formalizada no último domingo (16) e também inclui outras empresas vinculadas ao grupo, refletindo uma estratégia conjunta para enfrentar o cenário financeiro adverso. A companhia solicitou a convocação de uma Assembleia Geral Extraordinária com o objetivo de ratificar a decisão de ajuizamento, considerada de caráter urgente, conforme o documento enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
A decisão de buscar recuperação judicial não se limita à operação principal das Casas Bahia, uma das maiores redes de varejo de móveis e eletrodomésticos do Brasil. Segundo o comunicado oficial, o pedido abrange também as demais empresas ligadas ao grupo, indicando uma tentativa de reestruturação financeira mais ampla. A medida foi tomada devido à deterioração das condições econômicas da própria companhia, que enfrenta um ambiente macroeconômico desafiador, marcado por fatores como a alta das taxas de juros, restrições no crédito, aumento do custo financeiro e uma pressão significativa sobre o consumo e o capital de giro.
A empresa justificou sua decisão afirmando que esses fatores impactaram de forma severa sua saúde financeira, tornando imprescindível a adoção de medidas de reestruturação para garantir a continuidade de suas operações. Apesar do cenário difícil, as Casas Bahia garantiram que pretendem manter suas atividades em todos os canais de venda existentes, priorizando o atendimento aos clientes e consumidores, que deverão continuar a receber atendimento normalmente após o pedido de recuperação judicial.
A divulgação da medida ocorreu pouco após a publicação do balanço do segundo trimestre de 2026, que foi adiado duas vezes. A primeira previsão de divulgação, inicialmente marcada para 12 de agosto, foi posteriormente transferida para 14 do mesmo mês. No entanto, na data prevista, a companhia novamente não divulgou os resultados, gerando expectativa no mercado. Somente no domingo (16), a empresa divulgou seus resultados financeiros referentes ao período de maio a junho, revelando um prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões, valor que representa uma elevação de 18 vezes em relação ao mesmo período do ano anterior.
Além do impacto financeiro, a companhia enfrenta rumores de fechamento de 298 lojas, uma informação inicialmente veiculada pela mídia e posteriormente confirmada pela própria empresa nos documentos do balancete. Essa redução no número de unidades reflete a tentativa de contenção de despesas e readequação do modelo de negócios diante do cenário econômico desfavorável.
Ainda nesta segunda-feira, o grupo confirmou a renúncia do diretor jurídico, Fábio Spina, além da saída de dois membros do Conselho de Administração: Jackson Medeiros de Farias Schneider e Rogério Paulo Calderón Peres. A companhia não informou, até o momento, os procedimentos que serão adotados para a eleição de seus substitutos, indicando uma fase de reestruturação interna que deve se desenrolar nos próximos meses.
A medida de recuperação judicial, embora seja uma estratégia para evitar a insolvência, reforça o momento delicado pelo qual passa o grupo, que busca reequilibrar suas finanças e retomar a estabilidade operacional em um mercado cada vez mais competitivo e desafiador.