O governo dos Estados Unidos anunciou nesta sexta-feira, 7 de dezembro, um investimento de US$ 3 bilhões destinado ao desenvolvimento de projetos relacionados a minérios considerados críticos para a economia e a segurança nacional do país. A medida foi oficializada durante uma mesa-redonda com representantes do setor de mineração e indústrias relacionadas, reforçando a estratégia de fortalecer a cadeia de suprimentos doméstica e reduzir a dependência de fontes externas.
Durante o evento, o secretário do Comércio, Howard Lutnick, destacou a importância de estabelecer uma cadeia de produção de minérios inteiramente nos Estados Unidos, abrangendo desde a extração até o refino dos minerais essenciais. Segundo ele, “nós, e não nossos adversários, controlaremos a cadeia global de oferta”, enfatizando a necessidade de autonomia na obtenção de materiais estratégicos. Lutnick também afirmou que “não podemos depender de outros países para materiais essenciais”, reforçando a prioridade de repatriar processos produtivos e garantir o abastecimento interno.
O secretário de Estado, Marco Rubio, complementou as declarações de Lutnick ao afirmar que essa estratégia visa assegurar que “nenhum país possa ameaçar” os Estados Unidos por meio do controle de recursos críticos. A iniciativa faz parte de uma série de esforços do governo norte-americano para fortalecer cadeias produtivas nacionais, especialmente nos setores de aço, alumínio e fabricação de chips eletrônicos, que têm sido alvo de atenção devido às vulnerabilidades evidenciadas em crises globais recentes.
Trump também destacou os avanços na repatriação de fábricas e mineradoras, que, segundo ele, ocorrem no ritmo mais acelerado desde a década de 1950. O presidente mencionou ainda investimentos diretos em participações acionárias de empresas estratégicas, citando o caso da Intel. Segundo Trump, a companhia enfrentava dificuldades, e o governo ajudou por meio de investimentos em troca de participação acionária, o que resultou na valorização das ações e na geração de lucros. Apesar do retorno financeiro, Trump afirmou que o objetivo principal não era lucro, mas fortalecer a cadeia produtiva nacional.
Além do investimento de US$ 3 bilhões, o Wall Street Journal antecipou que o governo Trump planeja destinar mais de US$ 2 bilhões em financiamento para empresas fabricantes de baterias e de minerais críticos. A reportagem revelou que o Departamento de Defesa comprometeu-se a emprestar US$ 1,4 bilhão para a Sila Nanotechnologies, além de firmar acordos com outras três companhias do setor. Tais investimentos são considerados essenciais para o desenvolvimento de baterias mais potentes, necessárias para aplicações que vão desde drones até centros de dados que suportam inteligência artificial.
Contudo, segundo o jornal, esses projetos ainda estão em fase de elaboração e podem levar anos para serem concluídos. Durante o evento, Trump também abordou brevemente a produção de petróleo nos Estados Unidos, reiterando que o país atualmente produz em volume superior ao de Rússia e Arábia Saudita, mesmo sem contabilizar a produção venezuelana. Essa afirmação reforça o esforço do governo em consolidar a autossuficiência energética como parte de sua estratégia de fortalecimento econômico e de segurança.