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Pesquisa revela que brasileiros tendem a superestimar sua saúde enquanto apresentam fatores de risco elevados

Uma pesquisa conduzida pelo A.C.Camargo Cancer Center em parceria com a Nexus Pesquisa e Inteligência de Dados revelou que uma maioria significativa dos brasileiros acredita estar em bom ou ótimo estado de saúde, embora apresentem indicadores alarmantes de risco para o desenvolvimento de câncer. O estudo, intitulado “A saúde do brasileiro, hábitos de vida e o uso de tecnologia em diagnósticos médicos”, entrevistou 2.015 cidadãos com idade a partir de 16 anos, em todas as 27 unidades federativas do país, e aponta que 59% dos participantes avaliam sua saúde de forma positiva, mesmo que 63% estejam acima do peso e 42% não realizem atividades físicas regularmente.

A pesquisa evidencia uma discrepância preocupante entre a percepção de bem-estar e os fatores de risco que, na realidade, aumentam a vulnerabilidade a diversos tipos de câncer. De acordo com o patologista e CEO do A.C.Camargo Cancer Center, Victor Piana, a prática regular de exercícios físicos é uma das estratégias mais acessíveis para reduzir esses riscos, além de contribuir para o controle do peso e melhorar a resposta do organismo durante e após tratamentos oncológicos. Piana destaca que o excesso de peso é hoje reconhecido pela ciência como fator de risco para mais de dez tipos de câncer, incluindo os de intestino, mama, pâncreas e esôfago. “Seis em cada dez brasileiros carregam, sem perceber, um dos principais fatores de risco da doença”, afirma.

O estudo também aponta que o comportamento alimentar dos brasileiros apresenta boas práticas, com 66% dos entrevistados consumindo alimentos frescos, como frutas, verduras, legumes, ovos e carnes, em pelo menos seis dias por semana. Contudo, o consumo de alimentos ultraprocessados, doces, bebidas açucaradas e frituras é registrado em cerca de dois dias por semana. Entre os fatores que dificultam uma alimentação adequada, estão o alto custo de carnes, frutas e vegetais, apontado por 29% dos participantes, e a rotina agitada e o cansaço, citados por 21%. A condição socioeconômica também influencia esses hábitos: enquanto 40% dos que ganham até um salário mínimo relatam dificuldades financeiras para adquirir alimentos saudáveis, esse percentual diminui para 10% entre os que possuem renda acima de cinco salários mínimos, onde o principal obstáculo passa a ser o tempo disponível.

No que se refere ao consumo de bebidas alcoólicas, a pesquisa revela que 58% dos brasileiros afirmam não consumir álcool, enquanto 30% bebem de uma a duas vezes por semana e 5% relatam consumo de cinco a sete dias semanais. O álcool, classificado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como cancerígeno, está associado ao desenvolvimento de tumores na boca, garganta, esôfago, fígado, intestino e mama. Quando combinado ao cigarro, os riscos aumentam consideravelmente. Piana destaca um paradoxo revelado pelo estudo: entre aqueles que mais consomem álcool, há uma maior proporção de indivíduos que avaliam sua saúde como boa ou ótima, chegando a 64%, contra 58% entre os que não bebem. Segundo o especialista, essa percepção distorcida decorre do fato de que o consumo frequente de álcool e a socialização associada a ele podem criar a ilusão de bem-estar, enquanto os riscos à saúde se acumulam silenciosamente.

A pesquisa evidencia que o maior perigo para a saúde do brasileiro não está na sensação subjetiva de bem-estar, mas na falta de percepção sobre fatores de risco como excesso de peso, sedentarismo, tabagismo e consumo de álcool. Esses fatores, muitas vezes, se instalam de forma silenciosa na rotina da população. Para Piana, a boa notícia é que todos esses fatores são modificáveis e que mudanças nos hábitos de vida representam a estratégia mais eficaz para reduzir as chances de um diagnóstico de câncer no futuro. A pesquisa foi realizada por meio de entrevistas presenciais, abrangendo diferentes regiões do país, e reforça a importância de conscientizar a população sobre a necessidade de práticas de vida mais saudáveis para a prevenção de doenças oncológicas.

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade