O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta quinta-feira, 24 de outubro, que a instituição está atenta às práticas de oferta de crédito que considera agressivas e potencialmente predatórias. A declaração foi feita durante uma coletiva de apresentação do Relatório de Política Monetária (RPM), documento que avalia o cenário econômico e as ações do banco central em relação à política monetária do país.
Galípolo destacou que a preocupação do Banco Central não se limita ao momento do ciclo econômico, mas se estende às medidas de estabilidade financeira adotadas independentemente do contexto. Segundo ele, caso fosse possível iniciar um sistema financeiro do zero, a instituição adotaria regras macroprudenciais que visam limitar a oferta de crédito de forma a evitar práticas que possam prejudicar a estabilidade do sistema financeiro e a proteção do consumidor. O presidente do BC reforçou que a oferta de crédito considerada predatória deve ser limitada, independentemente do tipo de recurso ou do perfil do cliente, indicando uma postura de maior vigilância sobre esse aspecto.
Apesar de não citar explicitamente nenhum tipo específico de crédito, Galípolo indicou que as regras atuais podem ser reforçadas na forma como o crédito é ofertado, especialmente na seleção dos clientes. Ele afirmou que toda vez que a oferta predatória for identificada, é necessário pensar em limitações para coibir esse tipo de prática. Essa postura reflete uma preocupação do Banco Central em proteger os consumidores de práticas abusivas e evitar que a oferta de crédito agressiva gere riscos à estabilidade financeira do país.
O dirigente do BC também comentou sobre a experiência internacional na área, destacando que o banco acompanha iniciativas de conscientização do cliente quanto às linhas de crédito mais caras ou de maior risco. Ele mencionou ainda a possibilidade de uma linha de crédito mais adequada às condições do consumidor, levando em conta o comportamento do cliente na hora de escolher a modalidade de financiamento. Essa abordagem busca reduzir a vulnerabilidade do consumidor e evitar que ele seja atraído por ofertas que possam comprometer sua saúde financeira.
O RPM divulgado pelo Banco Central aponta que o mercado de crédito no Brasil apresenta sinais de desaceleração, em um contexto de política monetária restritiva. O documento evidencia uma redução na concessão de crédito livre às pessoas físicas, além de indicar que o endividamento das famílias atingiu níveis historicamente elevados. Os dados também revelam recordes de comprometimento de renda e de inadimplência, o que reforça a preocupação do BC com o impacto dessas variáveis na estabilidade econômica.
Além disso, o relatório observa que as modalidades de crédito emergenciais ou de curto prazo têm ganhado maior participação no mercado, enquanto as operações tradicionais de crédito livre recuaram. Segundo o diretor de Política Econômica do BC, Paulo Picchetti, espera-se uma desaceleração adicional na concessão de crédito em 2027, em linha com os efeitos defasados da política monetária restritiva adotada pelo banco central, o que deve contribuir para a contenção do ritmo de crescimento do endividamento das famílias e evitar o agravamento da inadimplência.