O Banco Central do Brasil elevou sua previsão de probabilidade de a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), ultrapassar o limite superior da meta estabelecida para 2026. A estimativa passou de 79% para 90%, conforme divulgado no Relatório de Política Monetária (RPM) publicado nesta quinta-feira, dia 24 de outubro. A mesma publicação reforçou que a probabilidade de o IPCA ficar abaixo do piso de 1,50% permanece nula, indicando uma expectativa de que a inflação dificilmente ficará abaixo do limite inferior do intervalo de tolerância.
A mudança nas projeções ocorre em um contexto de ajustes nas metas de inflação do país. Desde 2025, a meta passou a ser contínua, calculada com base no IPCA acumulado em 12 meses, e ela é considerada descumprida quando o índice fica acima ou abaixo do intervalo de tolerância por seis meses consecutivos. O centro da meta permanece em 3%, com uma margem de 1,5 ponto porcentual para mais ou para menos, o que significa que o intervalo de tolerância vai de 1,5% a 4,5%.
A avaliação do Banco Central revela que a meta de inflação foi descumprida pela primeira vez em julho do ano passado, quando o IBGE informou que o IPCA de junho daquele ano fechou com alta de 5,35% em 12 meses, acima do teto de 4,50%. Na ocasião, o Banco Central também publicou uma carta aberta ao então ministro da Fazenda, Fernando Haddad, na qual indicava expectativa de que a inflação acumulada em 12 meses retornasse ao intervalo de tolerância até o final do primeiro trimestre de 2026.
Além do cenário para 2026, o relatório aponta que a probabilidade de a inflação de 2027 superar o teto da meta foi revisada de 28% para 33%. Por outro lado, a chance de o IPCA de 2027 ficar abaixo do piso de 1,50% caiu de 6% para 4%. Para 2028, a previsão mantém a probabilidade de superar o teto em 16%, enquanto a possibilidade de ficar abaixo do piso permanece em 12%.
Esses números refletem a alta incerteza sobre o comportamento da inflação nos próximos anos, especialmente diante dos desafios econômicos enfrentados pelo país. O aumento na estimativa de risco de estouro do teto para 2026 evidencia a preocupação do Banco Central com a trajetória inflacionária, que pode demandar ajustes na política monetária para evitar que os limites estabelecidos sejam ultrapassados. A manutenção das projeções para 2028 indica uma expectativa de estabilidade relativa, embora ainda com considerável volatilidade na evolução dos preços ao consumidor.