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Novo boletim aponta intensificação do El Niño e riscos de seca, chuva e calor no Brasil até 2027

•Créditos: Painel El Niño 2026-2027 – Inmet

Um novo relatório do Painel El Niño, divulgado nesta quarta-feira pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) em parceria com diversas instituições, indica que o fenômeno climático deve atingir intensidade muito forte entre outubro e dezembro de 2023, período que marca a transição entre a primavera e o verão. As projeções apontam uma probabilidade de 95% de que essa intensidade seja alcançada, e o impacto do El Niño deve se estender pelo menos até o primeiro trimestre de 2027, influenciando significativamente o clima em diferentes regiões do Brasil.

O boletim destaca a existência de dois cenários distintos no país: na região Centro-Norte, há uma previsão de intensificação da seca e aumento do risco de incêndios florestais, enquanto na região Sul, a expectativa é de aumento das chuvas, elevando o risco de cheias. Além disso, as temperaturas devem permanecer acima da média em quase todo o território nacional, embora os impactos específicos em cada localidade dependam da evolução das condições meteorológicas ao longo do período.

Dados recentes do monitoramento indicam uma piora rápida nas condições de seca, especialmente no Nordeste e na região Norte. Segundo informações parciais de setembro do Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden), o número de municípios classificados em situação de seca extrema aumentou de quatro para 24 em apenas um mês, enquanto a quantidade de municípios em seca severa passou de 153 para 197. Os maiores avanços foram registrados nos estados do Amazonas, Bahia, Amapá, Alagoas e Sergipe, com destaque para o Nordeste, que concentra atualmente 16% de sua área em situação de seca grave. A previsão de pouca chuva e temperaturas elevadas pode agravar ainda mais esse quadro.

Na região Norte, a seca também avançou significativamente, especialmente em Roraima, Acre e Amazonas. Essa escassez de recursos hídricos já provoca dificuldades na captação de água e problemas na navegação de rios, como o Branco e o Negro, cujos níveis estão baixos. A previsão de chuva abaixo da média para os próximos meses deve dificultar a recuperação dos níveis desses rios, agravando a crise hídrica na região.

O impacto do El Niño também aumenta o risco de incêndios, principalmente em áreas de vegetação seca. Para o trimestre de outubro a dezembro de 2023, o Cemaden prevê que regiões críticas, como a Amazônia, o Centro-Oeste e partes do interior do país, permaneçam vulneráveis a focos de incêndio devido às condições de seca e altas temperaturas. Essa preocupação é corroborada por levantamento divulgado em setembro pela CNN Brasil, que aponta quais estados possuem planos de manejo do fogo para 2026.

Enquanto o Centro-Norte enfrenta uma intensificação da estiagem, a região Sul registra o extremo oposto: volumes de chuva elevados elevaram os níveis dos rios e provocaram inundações, especialmente no Rio Grande do Sul, na região do Vale do Taquari e ao longo do rio Caí, além de municípios de Santa Catarina. O Serviço Geológico do Brasil (SGB) já emitiu mais de 190 boletins de alerta hidrológico ao longo de 2026, alertando para o risco de eventos relacionados à elevação dos níveis de rios e inundações.

A previsão para o último trimestre de 2023 indica que as chuvas permanecerão acima da média na região Sul, enquanto partes do Sudeste e do Nordeste também devem registrar precipitações superiores à média. Por outro lado, a tendência é de redução gradual do risco de cheias na região Sul até dezembro. As temperaturas, por sua vez, devem permanecer elevadas em quase todo o Brasil, resultado do fortalecimento contínuo do El Niño no Pacífico Equatorial, cujo aquecimento das águas superficiais ultrapassou 2°C nas áreas central e leste do oceano, conforme dados do Climate Prediction Center (CPC) e da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA).

O El Niño, fenômeno caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Pacífico Equatorial, interfere na circulação atmosférica global, alterando padrões de chuva e temperatura em diversas regiões. No Brasil, seus efeitos variam de acordo com a intensidade do episódio, a época do ano e a interação com outros sistemas atmosféricos, sendo geralmente associado a chuvas mais intensas no Sul e condições mais secas e quentes no Norte e Nordeste.

As instituições envolvidas no monitoramento indicam que o fenômeno deve permanecer ativo pelo menos até o primeiro trimestre de 2027. A Defesa Civil Nacional recomenda que a população se cadastre para receber alertas de eventos adversos, disponíveis via SMS, WhatsApp e Telegram, além de alertas meteorológicos oficiais fornecidos pelo Inmet. Diante do cenário, os órgãos responsáveis reforçam a necessidade de acompanhamento contínuo das condições meteorológicas, hidrológicas e geológicas, além da consulta regular aos avisos e alertas oficiais, para auxiliar na prevenção, preparação e gestão de riscos relacionados às mudanças climáticas provocadas pelo El Niño.

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade