Uma frente fria associada a um ciclone extratropical começa a se organizar nesta quinta-feira, 20 de outubro, na região entre o Rio Grande do Sul, o Uruguai e áreas próximas da Argentina. A formação do sistema, conhecida como ciclogênese, ocorre em uma área denominada região ciclogenética, onde é comum o surgimento de sistemas desse tipo. A partir dessa formação, há previsão de intensificação do fenômeno ao longo do dia, com aumento da instabilidade atmosférica na região Sul do Brasil, favorecendo temporais, rajadas de vento e mudanças bruscas nas temperaturas.
Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a formação do centro de baixa pressão na costa gaúcha intensifica a circulação de ventos e o transporte de ar frio para o território brasileiro. A frente fria, que acompanha o sistema, avança pelo Sul do país e também influencia o sudoeste de Mato Grosso do Sul. A previsão mais recente, divulgada pela Climatempo, indica que o ciclone deve atingir intensidade moderada durante sua formação sobre o continente e se fortalecer na sexta-feira, 21 de outubro, enquanto se desloca para o oceano, afastando-se da costa do Rio Grande do Sul e do Uruguai.
A formação do ciclone ocorre em uma região onde a circulação dos ventos em diferentes níveis da atmosfera, aliada à queda da pressão atmosférica e ao contraste entre massas de ar, favorece a ocorrência simultânea do sistema e da frente fria. Essa interação aumenta o potencial de efeitos atmosféricos severos nesta quinta-feira, especialmente na região Sul do Brasil. O Inmet alerta que ventos podem atingir velocidades superiores a 80 km/h em pontos do Sul do país, devido ao centro de baixa pressão em formação.
Temporais com possibilidade de granizo estão previstos para diversas áreas do Rio Grande do Sul, incluindo Oeste, Missões, Centro, Campanha, Sul, Costa Doce, Região Metropolitana de Porto Alegre, Serra, Nordeste e Litoral Norte. Os volumes de chuva podem alcançar até 80 milímetros em regiões como Oeste, Campanha e Sul gaúcho, embora na maior parte do estado os acumulados não ultrapassem 50 milímetros. Essa situação é agravada por níveis elevados de rios e arroios em algumas áreas, consequência das chuvas recentes, o que aumenta o risco de inundações, especialmente na fronteira com o Uruguai, onde alguns sistemas de água já apresentam extravasamento.
Em Santa Catarina e no Paraná, as pancadas de chuva mais intensas devem começar pelo Oeste e Sul, avançando para outras regiões ao longo do dia, com possibilidade de granizo e ventos fortes. Mato Grosso do Sul também será afetado pela frente fria, sobretudo na sua região sul, onde há previsão de pancadas de chuva com trovoadas e redução das temperaturas mínimas devido à entrada de ar frio.
No Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, as temperaturas mínimas já devem ficar abaixo de 10°C nesta quinta-feira, com destaque para o sul do Paraná, oeste de Santa Catarina e interior gaúcho. Porto Alegre e Curitiba terão mínimas estimadas em torno de 15°C, enquanto a máxima na capital gaúcha não deve ultrapassar 20°C. A principal mudança no padrão climático ocorre após a passagem do sistema, na sexta-feira, quando o ciclone se afastará rapidamente em alto-mar e a frente fria avançará em direção ao Sudeste, provocando queda acentuada nas temperaturas.
A previsão indica que a frente fria chegará a São Paulo e Rio de Janeiro entre sexta-feira e sábado, embora sem volumes expressivos de chuva para o Sudeste. A principal consequência será a redução das temperaturas, com entrada de ar polar que deve alcançar também Mato Grosso do Sul, oeste e sul de Mato Grosso, além de áreas de Rondônia, Acre, Goiás, Minas Gerais e Rio de Janeiro. No Sul e na Grande São Paulo, o frio deve persistir pelo menos até a próxima segunda-feira, 24 de outubro, com mínimas previstas entre 9°C e 11°C em algumas regiões. O Inmet também aponta que as madrugadas poderão ser bastante frias em Minas Gerais, na serra do Espírito Santo e no Rio de Janeiro.
Enquanto o centro-sul do país experimenta uma forte queda de temperaturas devido à massa de ar polar, outras regiões mantêm-se sob clima mais quente e de baixa umidade. No Norte, a influência do ar frio será limitada, atingindo principalmente Rondônia, Acre e áreas do centro-norte de Mato Grosso, mas as temperaturas continuam elevadas em grande parte da região, com máximas de até 40°C na Amazônia e cerca de 38°C em Palmas nesta quinta-feira.
No Nordeste, a frente fria não provoca mudança significativa nas temperaturas, com maior concentração de chuva na faixa leste da região, enquanto o interior permanece seco. Nas áreas de serra da Bahia, as mínimas podem atingir 11°C nas madrugadas, mas o calor ainda predomina em outras áreas, com máximas de até 37°C no Piauí.
No Centro-Oeste, o contraste térmico será mais evidente. A massa de ar frio provoca queda nas temperaturas mínimas no sudoeste de Mato Grosso do Sul, onde os termômetros podem marcar cerca de 14°C em Ponta Porã nesta quinta-feira. Contudo, em outras regiões, o clima permanece quente, com Cuiabá podendo atingir 32°C. Ações de frio também atingirão áreas de Goiás e do Distrito Federal, onde as madrugadas serão mais frias, mas as tardes continuarão quentes.