O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, declarou nesta quinta-feira, 20 de outubro, que a decisão tomada na véspera, de aumentar a recompra de títulos do Tesouro americano, não possui conexão direta com as políticas de juros do Federal Reserve (Fed). Em entrevista concedida à CNBC, Bessent reforçou que a medida visa, sobretudo, a uma maior consolidação fiscal do governo federal, afastando qualquer interpretação de que a iniciativa possa influenciar ou refletir uma política monetária expansionista ou contracionista do banco central.
Segundo o secretário, a recompra de títulos públicos não deve gerar pressões inflacionárias no país. Ele destacou que, atualmente, os Estados Unidos apresentam uma economia estável, com o dólar também em patamar de estabilidade. Bessent acrescentou que a única fonte de inflação no momento é o setor de energia, que, na sua avaliação, deve ser uma pressão temporária. Essa declaração ocorre em meio a dados divulgados na semana passada pela Universidade de Michigan, os quais indicaram uma elevação nas expectativas de inflação para o horizonte de um ano, enquanto as expectativas para o período de cinco anos permanecem estáveis.
Bessent afirmou que os rendimentos dos Treasuries, ou títulos do Tesouro dos EUA, não refletem os fundamentos subjacentes do mercado financeiro. Ele também destacou que, embora o Tesouro possa precisar ajustar sua estratégia de recompra de títulos caso o Federal Reserve decida fazer alterações em seu balanço patrimonial, essas mudanças não afetariam as taxas de juros de forma significativa.
A recompra de títulos, que pode atingir até US$ 4 bilhões por operação, foi anunciada na quarta-feira, 19 de outubro. O secretário afirmou que essa prática é rotineira e que o tamanho das operações pode ser ampliado, dependendo das condições de mercado e das necessidades do governo.
Sobre a dívida pública total dos Estados Unidos, que recentemente ultrapassou a marca de US$ 40 trilhões, Bessent afirmou que não há nada de especial ou preocupante nesse valor. Segundo ele, há possibilidades de que o governo tenha atingido o pico da dívida, embora muitos dados relacionados ao déficit fiscal e sua relação com o Produto Interno Bruto (PIB) estejam equivocados ou mal interpretados por analistas e especialistas.
Por fim, Bessent comentou a reação do mercado diante da intervenção conjunta entre os Estados Unidos e o Japão no mercado de ienes, afirmando que o mercado teria interpretado de forma precipitada essa ação. Sua análise sugere que, na visão dele, os investidores podem ter reagido de maneira excessiva às medidas coordenadas, sem considerar o contexto mais amplo das políticas econômicas adotadas pelas duas nações.