O aumento das taxas de juros e a restrição no acesso ao crédito têm impactado significativamente as decisões de consumo de famílias brasileiras, segundo declarações de executivos de empresas atuantes nos setores de alimentação, varejo e turismo. Durante o evento iFood Move, realizado nesta quarta-feira (16), em São Paulo, líderes dessas empresas destacaram que o cenário mais restritivo leva os consumidores a refletirem com mais cautela antes de realizar compras, ponderando a real necessidade do produto ou serviço e o quanto pretendem gastar.
O CEO do iFood, Diego Barreto, afirmou que a retração do crédito e o aumento da inadimplência limitam a capacidade de compra das famílias. Segundo ele, a disponibilidade de crédito funciona como um gatilho psicológico que estimula o consumidor a realizar compras de impulso. Com a diminuição do crédito, esse impulso é reduzido, levando o consumidor a adotar uma postura mais conservadora. “Eu diria que o consumidor, ele muda na prática quando o crédito diminui. Porque o impulso pela compra, a vontade pela compra, se ele tem o dinheiro, se ele tem o crédito, ele de alguma forma acaba psicologicamente tendo um gatilho da compra”, explicou.
No setor de turismo, a CEO da Decolar, Rafaela Rezende, reforçou que o custo do financiamento influencia diretamente as decisões de compra de viagens. Ela explicou que a taxa de juros impacta tanto a opção pelo parcelamento quanto a decisão de adquirir um pacote de viagem, especialmente em negócios com ticket médio elevado. Rezende destacou que, diante desse cenário, ampliar o acesso ao crédito pode ser uma estratégia para estimular o mercado de turismo. Ela revelou que a empresa busca tornar as experiências de viagem mais acessíveis, incorporando-as ao cotidiano dos consumidores, e ressaltou a importância de facilitar o acesso a esse tipo de investimento, que costuma representar um gasto alto para o consumidor.
Além disso, os executivos apresentaram estratégias adotadas por suas empresas para lidar com um consumidor mais exigente e cauteloso. Diego Barreto destacou a criação de novos produtos e canais como formas de se diferenciar no mercado. Ele ressaltou que, atualmente, é mais fácil ser inovador do que há cinco anos, devido à maior disponibilidade de recursos e possibilidades de diferenciação. Para ele, o produto e a experiência oferecida precisam ser cada vez mais distintos, de modo a atrair e reter clientes.
Por sua vez, Rafaela Rezende afirmou que a personalização da oferta é uma parte fundamental do crescimento da Decolar. Ela observou que o consumidor está mais exigente, mas também mais disposto a buscar experiências e vivências diferentes. Assim, a estratégia da empresa passa por oferecer opções cada vez mais personalizadas, capazes de atender à demanda por novidades e por experiências únicas, reforçando a importância de adaptar suas ofertas às novas expectativas do mercado.
Esse cenário evidencia a influência direta das condições de crédito na dinâmica de consumo, refletindo uma mudança de comportamento que exige das empresas maior inovação e adaptação às novas demandas dos consumidores.