O banco de investimentos norte-americano Goldman Sachs revisou sua previsão para a cotação do dólar em relação ao real, indicando que a moeda deve ser negociada na faixa de R$ 4,70 em um prazo de três meses. Essa nova projeção representa uma redução significativa em relação à estimativa anterior, que apontava para R$ 5,20. A mudança ocorre após a análise dos resultados do primeiro turno das eleições presidenciais brasileiras, realizadas no último dia 2 de outubro, que surpreenderam o mercado financeiro.
De acordo com o relatório divulgado pelo Goldman Sachs, a valorização do real, que acumulou uma alta superior a 4% frente ao dólar, reflete a percepção do mercado de uma vantagem mais consolidada do candidato do Partido Liberal (PL), senador Flávio Bolsonaro, em relação ao atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O documento destaca que essa vantagem nos votos, observada na disputa presidencial, aumentou a confiança dos investidores na possibilidade de Flávio Bolsonaro manter sua vantagem no segundo turno, marcado para o dia 25 de outubro, o que reforça a expectativa de estabilidade para o real.
O banco de investimentos reforça, contudo, que a sustentação dessa valorização do real no médio e longo prazo depende de ações concretas por parte do próximo governo brasileiro. Em particular, o Goldman Sachs enfatiza que a implementação efetiva de políticas fiscais mais restritivas, alinhadas às expectativas do mercado financeiro, será fundamental para consolidar a tendência de valorização da moeda brasileira. Nesse cenário, a instituição projeta que, em seis meses, o dólar possa atingir a cotação de R$ 4,75, e, em 12 meses, R$ 4,80, considerando um cenário de estabilidade política e econômica.
O relatório também aponta que a faixa de R$ 4,50 a R$ 4,80 é considerada plausível pelo banco, especialmente em um cenário eleitoral percebido como favorável ao mercado, com postura fiscal mais rígida. Segundo o Goldman Sachs, uma cotação de R$ 4,80 representaria a completa eliminação do prêmio fiscal residual decorrente da depreciação do real prevista para 2024, além de refletir avaliações de longo prazo mais otimistas.
No entanto, a análise destaca que o cenário econômico brasileiro nos próximos meses pode ser influenciado por anúncios de políticas econômicas e fiscais, sobretudo em relação à formação do novo gabinete presidencial. Além disso, o banco alerta para o impacto sazonal de dezembro, mês tradicionalmente marcado por saídas de capital, o que pode dificultar a manutenção da valorização do real caso as expectativas de reformas fiscais não se confirmem.
O Goldman Sachs também observa que, apesar da redução na volatilidade implícita para o período do segundo turno, a incerteza relacionada às nomeações para o novo gabinete e às políticas econômicas a serem anunciadas deve manter a instabilidade cambial elevada além do período eleitoral. A formação do Congresso, que apresentou desempenho favorável a candidatos conservadores e de centro-direita nas eleições para Câmara, Senado e governos estaduais, é vista pelo banco como um fator positivo para a governança futura, especialmente se Flávio Bolsonaro assumir a presidência.
O relatório destaca ainda que essa percepção de otimismo reflete a expectativa de maior compromisso do possível próximo governo com o ajuste fiscal, o que, segundo o Goldman Sachs, favorece a valorização do real. A instituição compara esse cenário ao das eleições de 2018, quando Jair Bolsonaro foi eleito, ressaltando que, na ocasião, o dólar caiu aproximadamente 10% durante o primeiro turno, indicando potencial para uma nova valorização do real nas próximas semanas.
Por fim, o banco reforça que a reação positiva do mercado cambial está relacionada às expectativas de políticas mais favoráveis ao mercado e ao ciclo eleitoral, mas reforça a necessidade de atenção às possíveis oscilações provocadas por fatores externos e internos nos próximos meses.