As vendas no comércio varejista do Brasil registraram uma redução de 2% em agosto deste ano em relação ao mesmo período de 2022, já descontada a inflação, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (11) pelo Índice Cielo de Varejo Ampliado (ICVA). Este foi o pior desempenho para o mês desde 2020, ano marcado pelos efeitos severos da pandemia de Covid-19 na economia brasileira.
O levantamento da Cielo, uma das principais empresas de pagamentos do país controlada pelo Banco do Brasil e pelo Bradesco, revela que, em julho, o índice apontou uma queda de 1,4%, enquanto em agosto de 2022, o declínio foi de 1,5%. Apesar do recuo real, as vendas em termos nominais apresentaram crescimento de 2,1% em agosto, na comparação com o mesmo mês do ano anterior. Este aumento nominal foi impulsionado pelo crescimento de 5,1% no comércio eletrônico e de 1,2% nas lojas físicas, demonstrando uma dinâmica diferenciada entre os canais de venda.
Segundo Carlos Alves, vice-presidente de Tecnologia e Negócios da Cielo, o desempenho de agosto reforça um cenário em que o consumidor brasileiro mantém sua rotina de compras, mas passa a ser mais seletivo. Ele afirmou que, embora as pessoas não estejam deixando de consumir, estão optando com maior cuidado por onde, como e com o que gastam seus recursos. Alves destacou que, enquanto o varejo como um todo apresenta retração após o avanço nominal, o comércio eletrônico continua a apresentar um ritmo de crescimento superior ao das lojas físicas, refletindo uma preferência crescente por conveniência e preços competitivos.
O estudo também aponta que houve declínio real em todos os principais setores acompanhados pelo ICVA. Os bens duráveis e semiduráveis tiveram uma queda de 4,6% em agosto, enquanto os serviços retraíram-se 3,7%. Os bens não duráveis apresentaram uma redução mais moderada, de 0,4%. Em termos nominais, esses setores tiveram variações distintas: bens duráveis cresceram 4,4%, semiduráveis avançaram 2,6% e serviços tiveram alta de 1,6%.
A análise por regiões do país revela diferenças no desempenho do varejo após o ajuste pela inflação. O Centro-Oeste apresentou a maior retração, com queda de 3,7%. O Sudeste também registrou declínio, de 2,9%. O Nordeste teve uma baixa de 1,9%, enquanto o Sul apresentou retração de 1,1%. Por outro lado, o Norte manteve estabilidade, sem variação significativa no índice de vendas.
Este cenário evidencia uma mudança no comportamento do consumidor brasileiro, que, mesmo mantendo seu nível de consumo, demonstra maior cautela e preferência por canais que oferecem maior conveniência e competitividade de preços. O desempenho do varejo em agosto reforça a necessidade de análise contínua das tendências de consumo e das estratégias adotadas pelos comerciantes diante de um ambiente econômico cada vez mais desafiador.