A Natura, uma das principais empresas do setor de cosméticos e produtos de beleza no Brasil, projeta uma recuperação gradual e consistente de suas operações no país durante o segundo semestre de 2024, após uma forte queda na receita registrada no segundo trimestre. A expectativa foi apresentada pelo diretor-executivo para a América Latina, João Paulo Ferreira, durante uma teleconferência realizada nesta terça-feira (11), na qual a companhia compartilhou seus resultados e perspectivas de mercado com analistas e investidores.
Segundo Ferreira, os fundamentos do negócio estão melhorando de forma progressiva no terceiro trimestre, o que reforça a confiança na retomada do desempenho da empresa. Ele destacou que as dificuldades enfrentadas na cadeia de suprimentos, que impactaram negativamente as vendas, deverão ser superadas até o período do Natal, um momento crucial para o setor de cosméticos e beleza no Brasil. Ferreira também explicou que, na segunda metade do trimestre passado, a Natura enfrentou uma severa escassez de produtos, consequência de problemas logísticos e operacionais relacionados à troca do sistema de gestão SAP, que expôs desequilíbrios na cadeia de abastecimento.
O executivo ressaltou ainda que a implementação de um novo modelo operacional, que resultou na redução de aproximadamente 25% do quadro administrativo, trouxe desafios na execução das estratégias da companhia. No entanto, Ferreira afirmou que a empresa já alcançou um estágio de estabilização nesse processo de reestruturação, o que deve contribuir para a retomada do crescimento nos próximos meses.
A diretora financeira da Natura, Silvia Villas Boas, complementou a análise, indicando que o novo modelo operacional deverá permitir à companhia encerrar 2026 com uma estrutura de capital considerada ideal, além de uma geração de caixa superior à registrada em 2023. Ela destacou que, em 2025, o grupo reportou um fluxo de caixa para a firma (FCFF) de R$ 753 milhões provenientes de operações continuadas, reforçando a expectativa de melhora na saúde financeira da empresa.
No entanto, a análise de mercado indica que a Natura deve continuar perdendo participação de mercado ao longo do segundo semestre de 2026, devido ao processo gradual de resolução das questões relacionadas ao sistema de planejamento integrado e à integração mais ampla de seus sistemas internos, conforme avaliação dos analistas do Itaú BBA. Apesar disso, há fatores positivos, como a expectativa de aumento das margens de lucro.
Rodrigo Gastim e sua equipe destacaram, em nota, que a isenção de imposto para vendas diretas, prevista para entrar em vigor a partir de julho de 2026, deve contribuir para a melhoria da margem bruta no Brasil. A companhia, entretanto, afirmou que não pretende repassar esse benefício aos preços finais, mantendo sua estratégia de precificação.
Além disso, a Natura revisou sua meta de margem Ebitda para 2026. Em seu último relatório de resultados, a empresa indicou que reavaliava a possibilidade de expandir a margem Ebitda acima dos 14,1% registrados em 2025, alegando que alcançar essa meta exigiria cortes em investimentos considerados essenciais, como marca, marketing, pesquisa e desenvolvimento, além de outras estratégias de crescimento. Anteriormente, a companhia tinha como objetivo encerrar 2026 com uma margem superior à de 2025, mas essa previsão foi revista diante dos desafios atuais.
Após a divulgação dos resultados do segundo trimestre, às 10h40, as ações da Natura apresentaram alta de 3,3%, cotadas a R$ 8,35, após uma abertura de pregão em queda superior a 2%. Essa reação reflete a avaliação do mercado diante das perspectivas de recuperação gradual da companhia e das mudanças estratégicas em andamento.