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Queda do ouro é influenciada pelo aumento dos rendimentos dos Treasuries e da commodities energéticas

•Divulgação/Banco do Brasil

Nesta terça-feira, 15 de novembro, o mercado de ouro registrou uma nova sessão de baixa, ampliando a tendência de queda observada no dia anterior. O principal contrato de ouro negociado na bolsa de Nova York (Nymex), para entrega em dezembro, encerrou o pregão com uma queda de 0,44%, cotado a US$ 4.332,80 por onça-troy. Da mesma forma, a prata para o mesmo mês recuou a US$ 63,85 por onça-troy, também com uma redução de 0,44%. O movimento de queda do ouro foi fortemente influenciado pelo avanço dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos e pela alta dos preços do petróleo, elementos que pressionam o mercado de metais preciosos, que tradicionalmente não oferecem rendimento.

O aumento dos rendimentos dos Treasuries, especialmente dos títulos de longo prazo, reforça as expectativas de uma política monetária mais rígida por parte do Federal Reserve (Fed) para conter a inflação. Essa perspectiva de elevação das taxas de juros torna o ouro menos atrativo, uma vez que o metal não rende juros ou dividendos, tornando-se relativamente menos competitivo frente a ativos que oferecem retorno. A elevação dos preços do petróleo, por sua vez, também contribui para o cenário de maior aversão ao risco, o que costuma gerar movimentos de fortalecimento do dólar e de pressão sobre ativos considerados mais seguros, como o ouro.

A sessão de ontem foi marcada por fatores externos que sustentaram a alta dos preços do petróleo, incluindo renovadas tensões no Oriente Médio, que elevaram as expectativas de aumento nas taxas de juros globais. Apesar dessas pressões, o mercado de ouro mostrou uma certa resiliência, surpreendendo analistas que esperavam uma queda mais acentuada. Segundo o Commerzbank, uma instituição financeira alemã especializada em commodities, essa relativa estabilidade do ouro pode estar relacionada às preocupações fiscais persistentes nos Estados Unidos, que se refletem na alta dos rendimentos dos Treasuries de longo prazo, além do aumento recente dos riscos políticos no país.

Analistas também destacam que a independência do Federal Reserve tem sido alvo de debates, especialmente em um contexto de forte pressão política vinda da administração da Casa Branca. O banco central dos EUA tem o mandato de controlar a inflação e promover a estabilidade econômica, mas sua autonomia tem sido questionada à medida que interesses políticos tentam influenciar suas decisões. Antes do conflito com o Irã, o Fed caminhava para a redução das taxas de juros, numa estratégia que agradava ao então presidente Donald Trump, que buscava estimular a economia. No entanto, a atual situação apresenta um cenário diferente, com a inflação permanecendo persistentemente elevada e a necessidade de elevar os juros para conter o avanço dos preços.

O presidente Donald Trump, que deixou o cargo em janeiro de 2021, ameaçou adotar medidas extremas caso o Fed não aumentasse as taxas de juros, o que acirrou o debate sobre a autonomia do banco central. Com o aumento dos riscos políticos e econômicos, os mercados financeiros passam a considerar a possibilidade de um confronto entre as políticas monetária e fiscal, potencialmente influenciando o valor do ouro e outros ativos de refúgio. Assim, enquanto o cenário internacional e os fatores internos continuam a evoluir, o mercado de metais preciosos permanece atento às decisões do Fed, que terá uma oportunidade de definir sua postura nesta quarta-feira, 16 de novembro, com a divulgação da sua decisão de política monetária.

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade