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Crise no STF ainda não impacta decisivamente o cenário eleitoral, mas eleva riscos econômicos devido à alta do petróleo

•Fellipe Sampaio/STF

A crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) passou a fazer parte do radar dos investidores, embora ainda não tenha causado o impacto esperado nos levantamentos eleitorais relacionados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Enquanto o episódio gera debates sobre possíveis desdobramentos políticos, o mercado trabalha com dois cenários principais. O primeiro considera a hipótese de que as denúncias contra integrantes da Corte não sejam esclarecidas de forma conclusiva, resultando na ausência de responsabilizações e alimentando a percepção de que o episódio termina sem consequências, uma situação muitas vezes referida como “tudo acaba em pizza”. Nesse cenário, a insatisfação popular com o STF, especialmente com decisões atribuídas ao ministro Alexandre de Moraes, poderia aumentar, refletindo-se negativamente na avaliação do governo Lula por parte do eleitorado.

O segundo cenário prevê a continuidade das investigações e eventual punição, caso sejam confirmadas irregularidades. Uma responsabilização de ministros poderia gerar desgaste político imediato, aprofundando uma crise institucional já presente no debate eleitoral. Entretanto, até o momento, esses efeitos ainda não se manifestaram de forma significativa nos levantamentos de opinião pública, mesmo após episódios envolvendo o presidente Lula, que tiveram impacto perceptível na opinião pública, mas sem reflexos diretos e duradouros sobre sua popularidade.

A avaliação de curto prazo indica que um desfecho que encerre rapidamente a crise, mesmo que sem respostas definitivas, poderia inicialmente trazer certo alívio ao mercado. A redução da tensão política tende a diminuir a volatilidade e retirar um fator de incerteza do ambiente eleitoral. Contudo, esse alívio seria temporário, pois, na ausência de uma apuração efetiva, a percepção de que os ministros do STF operam acima de qualquer controle poderia se consolidar, prejudicando a credibilidade das instituições, aumentando a insegurança jurídica e dificultando a previsibilidade necessária para investimentos de longo prazo.

Por outro lado, uma investigação conduzida de forma rigorosa, respeitando o devido processo legal, seria mais benéfica institucionalmente, mesmo que gerasse turbulências políticas no curto prazo. Uma eventual responsabilização demonstraria que os integrantes do STF também estão sujeitos a limites e regras, enviando uma mensagem importante tanto para a composição atual quanto para os futuros ministros da Corte.

Enquanto o mercado tenta avaliar os possíveis efeitos eleitorais da crise no Supremo, o cenário externo apresenta uma preocupação econômica mais imediata: a alta recente do petróleo. A valorização da commodity, em princípio, beneficiaria as contas brasileiras, uma vez que o Brasil é exportador de petróleo. Preços mais elevados poderiam aumentar a arrecadação com royalties e participações especiais, melhorar os resultados da Petrobras e elevar os dividendos pagos à União. Contudo, parte desses ganhos fiscais vem sendo consumida por medidas adotadas para evitar que a alta internacional dos combustíveis seja repassada integralmente aos preços ao consumidor.

O governo, atualmente, desembolsa aproximadamente R$ 7 bilhões por mês para manter os preços dos combustíveis, sendo cerca de R$ 5 bilhões destinados ao subsídio do diesel. Esse valor refere-se a um pacote de medidas que, na prática, cobre apenas parcialmente a diferença entre os preços doméstico e internacional. A defasagem do diesel chegou a R$ 2,87 por litro, enquanto a subvenção concedida é de R$ 1,12, o que significa que o mecanismo subsidia somente uma parte da pressão externa, deixando uma margem de risco para uma inflação represada.

Se os preços do petróleo permanecerem elevados, o governo poderá optar por ampliar os subsídios, permitir reajustes nas refinarias ou adotar uma combinação de ambas as estratégias. Cada alternativa traz riscos fiscais e inflacionários, podendo afetar a trajetória dos juros e o ritmo da atividade econômica. A expectativa predominante no mercado é que o governo evite reajustes mais agressivos antes das eleições, o que manteria a inflação sob controle momentaneamente, mas transferiria os riscos fiscais e inflacionários para o final do ano e para 2027. Assim, enquanto a crise no STF concentra a atenção por seu potencial impacto eleitoral, a alta do petróleo pode deixar uma herança econômica de maior custo fiscal, perda de receita e inflação adiada.

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade