Na próxima quarta-feira, a Apple realizará um evento na sua sede em Cupertino, Califórnia, onde o novo CEO, John Ternus, apresentará os produtos mais recentes da companhia. A expectativa do mercado é que Ternus demonstre que a empresa mantém sua capacidade de inovação em hardware e avance na área de inteligência artificial, especialmente com a reformulação da assistente virtual Siri. Analistas de mercado acreditam que a Apple deve anunciar um novo modelo de iPhone com design dobrável, que se abre como um passaporte, posicionando-se rapidamente como líder no emergente segmento de celulares dobráveis.
Esse dispositivo, apesar de seu preço estimado em mais de US$ 2.500, deve se destacar por sua tecnologia avançada, incluindo câmeras e processadores que, embora não sejam os melhores do mercado, podem ser considerados competitivos diante do lançamento de um produto inovador. A expectativa é que o novo iPhone dobrável possa conquistar uma parcela significativa do mercado, especialmente pelo apelo de exclusividade e luxo, atributos tradicionais da marca. Segundo Nabila Popal, diretora sênior de pesquisa da IDC, a expectativa é que o aparelho gere mais de US$ 45 bilhões em receitas para a Apple até o final de 2024, mesmo que celulares dobráveis ainda representem uma participação de mercado de um dígito.
Além do celular dobrável, a Apple deve anunciar atualizações para suas linhas de iPhone Pro e Pro Max, enquanto a renovação das versões mais básicas, como o iPhone Air, pode ser adiada para a primavera no hemisfério norte. A estratégia visa criar expectativa maior em torno do dispositivo que promete ser a grande novidade do evento, reforçando o foco na inovação de hardware.
No campo da inteligência artificial, a Apple já anunciou uma reformulação profunda da Siri, considerada por analistas como potencial primeiro grande sucesso de Ternus após anos de atrasos no desenvolvimento de IA. Uma atualização bem-sucedida até o final do ano poderia colocar a empresa em condições de competir de igual para igual com o assistente Gemini, do Google, que lidera o mercado de assistentes virtuais. Apesar do início lento da Apple na área de IA generativa, a vasta base instalada de mais de um bilhão de dispositivos e a fidelidade dos seus clientes têm feito com que investidores mantenham uma postura mais otimista quanto ao potencial da companhia nesse segmento.
Por outro lado, Ternus enfrenta o desafio de convencer consumidores e desenvolvedores de que a Siri pode acompanhar o ritmo de inovações rápidas promovidas por rivais como a OpenAI, que realiza atualizações frequentes em seus produtos. A atualização da Siri, que pode levar até 2028 para ser aprovada na China e inicialmente não estará disponível na Europa devido a disputas regulatórias, é vista como um passo importante para consolidar a presença da Apple na área de IA. A expectativa é que a empresa consiga lançar a nova versão nos Estados Unidos a tempo de fortalecer sua posição no mercado global, demonstrando capacidade de inovação e adaptação às regulações internacionais.
John Ternus, que permaneceu por cinco anos como chefe de engenharia de hardware e até então manteve um perfil mais discreto, agora precisa liderar esforços para lançar dispositivos potentes e expandir a integração de IA em seus produtos. Sua gestão será decisiva para que a Apple mantenha sua competitividade frente aos avanços rápidos de seus principais rivais, além de superar obstáculos regulatórios que podem atrasar a implementação de suas inovações em mercados-chave.