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Incêndios florestais no Alasca no século 21 alcançam níveis históricos de intensidade

Matt Howard/Unsplash

Uma pesquisa recente sobre os padrões de incêndios florestais no norte do Alasca, que abrange um período de 3 mil anos, revelou que as chamas do século 21 são as mais severas e frequentes já registradas. Os achados do estudo foram divulgados em meados de novembro na revista científica Biogeosciences.

Os métodos científicos empregados indicaram que o aumento na intensidade dos incêndios está associado à expansão da vegetação lenhosa e à diminuição da umidade do solo. Os especialistas afirmam que as atuais características ambientais estão intimamente ligadas ao aquecimento global.

Para conduzir a investigação, os cientistas coletaram amostras de turfa, um tipo de material orgânico que preserva vestígios das condições do passado em suas camadas. Foram extraídos cerca de meio metro de turfa em nove locais diferentes do bioma da tundra, a região mais fria do planeta, localizada ao norte da Cordilheira Brooks, no Alasca.

Através da datação por radiocarbono e chumbo, foi possível determinar a formação das camadas e criar uma linha do tempo dos padrões de incêndios florestais. A técnica também permitiu observar mudanças na vegetação e na umidade do solo ao longo de aproximadamente 3 mil anos, começando em 1000 a.C.

Os resultados mostraram que entre 1000 a.C. e 1000 d.C., os incêndios eram raros, o solo era úmido e a vegetação tinha baixa presença de plantas lenhosas. Entre 1000 e 1200 d.C., houve um leve aumento na frequência dos incêndios e o solo começou a ressecar.

De 1200 até cerca de 1900, os incêndios se tornaram menos comuns novamente, permanecendo assim por aproximadamente 700 anos. A partir de 1900, no entanto, a atividade de incêndios disparou para níveis sem precedentes, o solo se tornou extremamente seco e a vegetação lenhosa se multiplicou.

Imagens de satélites que monitoravam a vegetação corroboraram as análises realizadas com as turfas, confirmando a precisão dos dados.

Os pesquisadores atribuem o aumento acentuado dos incêndios florestais no Alasca à elevação da temperatura global, que resseca o solo, favorece o crescimento de arbustos e, consequentemente, aumenta a disponibilidade de material inflamável, propiciando as ocorrências.

Essas descobertas são fundamentais para compreender as mudanças nos padrões de incêndios na região, o que pode auxiliar na formulação de estratégias mais eficazes de combate a esses eventos no futuro.

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Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade