Popularmente conhecido como “derrame”, o acidente vascular cerebral (AVC) é uma das principais causas de incapacitação e morte no Brasil, conforme dados do Ministério da Saúde. Sintomas como tontura, fala arrastada ou fraqueza repentina podem indicar a ocorrência do problema: detectá-lo a tempo pode evitar sequelas graves e salvar vidas.
“Quando não resulta em morte, muitas vezes deixa sequelas irreversíveis. Todos ao nosso redor, seja em casa, na escola ou no trabalho, devem estar atentos aos primeiros sinais e acionar imediatamente os serviços de emergência pelo telefone 192, pois essa é uma condição que exige rapidez”, alerta Marcos Fonseca, superintendente de Urgência e Emergência da SES-SC (Secretaria Estadual de Saúde de Santa Catarina).
Ele enfatiza a importância do atendimento rápido. “Observe se o sorriso de alguém está torto, se a pessoa não consegue levantar os dois braços por pelo menos nove segundos ou se a fala está arrastada, confusa ou ausente. Esse paciente precisa de assistência imediata, e o Samu é responsável por garantir o socorro no menor tempo possível, seja por via terrestre ou aérea, de acordo com a avaliação do médico regulador”, destaca.
Identificando o problema
O AVC acontece quando um vaso sanguíneo que abastece o cérebro se obstrui ou se rompe, interrompendo o fluxo sanguíneo em parte do órgão. Isso pode resultar em paralisia, confusão mental, convulsões e até perda de consciência.
“Os sinais mais frequentes incluem dificuldade para falar, um sorriso torto que aparece subitamente e perda de força em um lado do corpo. Algumas pessoas podem também ter episódios de perda de consciência, convulsões e confusão mental”, explica a médica Andréia Diane Freitas, que faz parte das equipes de emergência do Samu.
Para ajudar na identificação dos sintomas, ela sugere um método simples utilizando a sigla “Samu”:
S – Sorria: verifique se o rosto apresenta assimetria;
A – Abrace: observe se a pessoa consegue manter os dois braços levantados;
M – Música: peça para que cante ou repita frases;
U – Urgência: ao suspeitar de AVC, ligue imediatamente para o 192.
A médica ainda ressalta a importância de manter a calma até a chegada da ambulância. “Evite oferecer alimentos ou medicamentos. Se ocorrer uma convulsão, proteja a cabeça do paciente com um objeto macio, como um casaco dobrado, e mantenha-o deitado de lado”, orienta.
Agilidade no socorro
O atendimento do Samu inicia-se já durante a chamada. Enquanto um técnico coleta informações sobre a localização e os sintomas, o médico regulador fornece orientações e organiza o envio da ambulância mais próxima. “O tempo desde o início dos sintomas é crucial, pois determina o tipo de tratamento que pode ser administrado”, explica Andréia.
Ao chegar, a equipe de emergência já oferece suporte na ambulância: medindo pressão arterial, glicemia e nível de consciência, e, se necessário, realizando ventilação mecânica.
“Existem medicamentos que podem dissolver o coágulo responsável pelo AVC, mas eles devem ser administrados até 4h30 após o início dos sintomas. Em algumas situações, é possível remover o trombo por meio de um procedimento endovascular até 24 horas depois”, detalha.
Fatores de risco e prevenção
Os principais fatores de risco incluem hipertensão, diabetes, tabagismo, consumo excessivo de álcool, colesterol elevado, obesidade, sedentarismo e histórico familiar.
“A prevenção está ligada a hábitos saudáveis, como uma alimentação balanceada, a prática regular de exercícios físicos e o controle rigoroso de doenças crônicas”, enfatiza a médica.
De acordo com o Ministério da Saúde, um diagnóstico ágil e um tratamento precoce aumentam significativamente as chances de recuperação total. O primeiro passo sempre deve ser o mesmo: ligar para o 192 ao perceber qualquer sinal de alerta. (informações do portal G1)