Um indivíduo que se encontra detido desde setembro no Paraná figurava, até a última quinta-feira (18), entre os mais procurados pela Justiça no Brasil. Tiago Alessandro Alves dos Santos foi capturado em flagrante no dia 7 de setembro, de acordo com informações do Ministério Público do Paraná, sob a acusação de utilizar documentos falsos, além de responder por outros delitos.
Até a referida data, seu nome e imagem permaneciam na listagem do Projeto Captura, uma iniciativa do Ministério da Justiça que visa a colaboração entre os governos estaduais e federal no combate ao crime organizado. Após um questionamento do g1 ao ministério e ao governo paranaense, Tiago foi removido da lista.
O Ministério da Justiça esclareceu que os nomes presentes na relação de procurados do Projeto Captura são indicados pelas autoridades estaduais, e que o ministério não realiza uma validação individual nem divulga detalhes sobre a situação processual de cada um dos mencionados.
A Secretaria de Segurança Pública do Paraná e o Departamento de Polícia Penal do Estado afirmam não ter fornecido os dados de Tiago ao Ministério da Justiça.
A lista de procurados foi criada por uma portaria do Ministério da Justiça em 2023 com o intuito de divulgar os nomes de pessoas cuja captura é considerada crucial para o combate a organizações criminosas, facilitar a prisão desses indivíduos por meio de denúncias anônimas, reduzir a incidência de crimes graves e assegurar a aplicação da lei penal. Segundo a norma, cada estado pode indicar até oito nomes para a lista, que atualmente conta com 197 registros.
Os governos estaduais devem informar ao Ministério da Justiça sempre que um procurado for preso ou se o mandado contra ele for revogado. O ministério, por sua vez, pode retirar nomes da lista se tiver conhecimento comprovado sobre a prisão ou a revogação do mandado.
Em comunicado, o Ministério da Justiça e Segurança Pública ressaltou que todos os nomes na lista nacional de procurados foram indicados por autoridades estaduais e atendem aos critérios estabelecidos para essa inclusão. Eles também destacaram que a presença de um nome pode resultar de diversas situações processuais, incluindo mandados de prisão abertos ou processos com tramitação sob sigilo judicial. Por isso, o ministério não realiza validação individualizada nem divulga informações detalhadas sobre a situação de cada pessoa listada, indicando que esclarecimentos sobre critérios ou situações jurídicas devem ser feitos diretamente com as autoridades de segurança pública estaduais.