A partir de outubro de 2023, o Brasil passa a adotar novas diretrizes para a doação de sangue, estabelecidas pela Portaria GM/MS nº 11.685/2023, publicada em 3 de julho do mesmo ano. Entre as principais mudanças, destaca-se a redução do período de espera para doadores que realizaram procedimentos estéticos, como tatuagens, maquiagem definitiva, aplicação de botox, preenchimentos e microagulhamento. Anteriormente, esses indivíduos precisavam aguardar um período maior, mas agora poderão doar sangue após sete dias, desde que os procedimentos tenham sido realizados em locais que atendam às normas de segurança sanitária. Caso o local não seja avaliado quanto à segurança, o prazo de espera permanece em quatro meses.
Além disso, pessoas que possuem piercing na boca ou na região genital poderão doar sangue quatro meses após a retirada do acessório. Essa alteração visa ampliar o número de doadores, considerando que a presença de piercings pode representar riscos de contaminação ou complicações durante o procedimento de doação, dependendo do tempo de cicatrização e do cuidado na remoção.
Outra mudança importante refere-se aos procedimentos de endoscopia e ao uso de anabolizantes sem prescrição médica. O período de espera para doação nesses casos foi reduzido de seis para quatro meses, buscando facilitar a participação de doadores que passaram por esses procedimentos ou utilizam substâncias de forma irregular.
O novo regulamento também traz avanços na rastreabilidade e na segurança do sangue doado. A implementação do exame NAT Plus, desenvolvido pelo Bio-Manguinhos/Fiocruz, possibilita a detecção rápida de HIV, hepatites B e C, além do parasita causador da malária, em bolsas e amostras de sangue. Essa triagem permite que pessoas que estiveram em áreas de risco, como regiões de mata, bosque ou floresta, possam doar sangue após apenas 30 dias de exposição, ao contrário do período de até um ano exigido anteriormente.
Outra inovação é a adoção do padrão internacional ISBT 128, que garante a rastreabilidade de todas as etapas do processo de coleta, transfusão e envio do plasma para produção de medicamentos, reduzindo o risco de erros de identificação. Os concentrados de plaquetas terão sua validade prorrogada de cinco para até sete dias, ampliando o número de pacientes beneficiados, especialmente aqueles com doenças hematológicas ou que necessitam de transfusões frequentes.
O regulamento também amplia a possibilidade de doação para idosos. Pessoas com 70 anos ou mais poderão doar sangue, desde que estejam saudáveis, cumpram os intervalos de frequência de doação e sejam consideradas aptas na avaliação clínica realizada pelos centros de hemoterapia. Essa mudança visa ampliar o potencial de doadores, considerando o envelhecimento da população brasileira.
Para doar sangue, os interessados devem procurar o hemocentro mais próximo, consultar os horários de atendimento e passar por uma triagem clínica que avalie sua aptidão para a doação. Essas medidas visam garantir a segurança tanto do doador quanto do receptor, alinhando as práticas às atualizações tecnológicas e epidemiológicas do cenário nacional.