A Polícia Federal (PF) entregou nesta segunda-feira, 14 de outubro, a íntegra do material extraído do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do antigo Banco Master, aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin e Gilmar Mendes. A remessa dos dados ocorreu após os gabinetes dos ministros terem enviado ofícios à PF solicitando a disponibilização completa do conteúdo, em resposta à resistência do relator do caso, ministro André Mendonça, que alegou riscos à continuidade das investigações e possíveis prejuízos ao julgamento envolvendo Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes.
A controvérsia sobre o acesso ao material remonta à semana passada, quando Zanin e Gilmar Mendes solicitaram a análise integral das mensagens trocadas por Vorcaro, visando uma compreensão mais ampla antes de participarem do julgamento. A decisão de liberar os dados foi motivada pelo entendimento de que o material completo é essencial para uma avaliação justa e detalhada, diferentemente do recorte parcial fornecido pelos investigadores da Polícia Federal.
O ministro André Mendonça, relator do caso no STF, argumentou que a liberação integral do conteúdo poderia comprometer investigações em andamento. Em sua justificativa, Mendonça afirmou que a disponibilização do material poderia tumultuar o processo e prejudicar o andamento do julgamento, especialmente por envolver possíveis ligações entre Vorcaro e o ministra Moraes. No entanto, Moraes também pressionou para que o relator do caso, ministro Fachin, determinasse a remessa do espelhamento completo do celular de Vorcaro a todos os ministros do Supremo, reforçando que não cabe ao relator decidir quais documentos devem ser acessados pelo colegiado.
Mendonça, por sua vez, sustentou que o acesso ao material completo não seria necessário para o julgamento, uma vez que o tribunal possui acesso ao mesmo conjunto de informações disponíveis ao relator, o que, na visão dele, garantiria a imparcialidade do processo.
Na sessão marcada para esta terça-feira, 15 de outubro, o plenário do STF deve deliberar sobre um relatório da Polícia Federal que aponta que Vorcaro enviou 52 mensagens ao ministro Moraes entre 2023 e 17 de novembro de 2025, data em que foi preso preventivamente. Entre as mensagens, há uma suposta troca de informações relacionadas a um contrato de R$ 131 milhões do Banco Master com o escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, bem como uma tentativa do ex-banqueiro de obter informações sobre uma operação de prisão iminente. Moraes nega qualquer contato com Vorcaro, e a Polícia Federal informou que não foi possível recuperar as respostas do interlocutor ao ex-banqueiro.
Ainda não há definição sobre o procedimento do julgamento, incluindo se Moraes e Mendonça participarão da sessão plenária, uma vez que o regimento interno do STF prevê a competência do plenário para processar e julgar ministros, mas não detalha os procedimentos específicos. O resultado do julgamento pode determinar a abertura ou não de investigação sobre a suposta relação entre Vorcaro e Moraes.
A pauta inclui também uma análise de um pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) para que o relatório da PF seja anulado, sob a alegação de irregularidades na sua produção. Segundo a PGR, Mendonça não teria comunicado a presidência do STF nem solicitado autorização do plenário para avançar nas investigações contra Moraes. O relator do caso, ao tornar o relatório público, solicitou ao plenário que decida pela abertura de investigação contra o ministro, o que gerou resposta de Moraes, que divulgou um suposto “relatório de inteligência” da PF, alegando que Mendonça estaria direcionando as investigações de forma a atingir desafetos políticos.
Moraes também solicitou a Fachin a abertura de investigação contra Mendonça por suspeitas de abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade. O julgamento dessa solicitação foi marcado para 23 de setembro.