Neste sábado, 5 de setembro, celebra-se o Dia da Amazônia, coincidindo com a contagem regressiva de 30 dias para as eleições gerais de 4 de outubro no Brasil. Essa coincidência marca o lançamento da quinta edição da campanha Virada Cultural Amazônia de Pé, uma iniciativa que busca sensibilizar a sociedade para a importância de votar em candidatos comprometidos com a preservação ambiental e a conservação da floresta amazônica. Com o tema “Cada voto pela Amazônia conta”, a campanha promove uma série de atividades em todas as regiões do país, incluindo festivais culturais, eventos gastronômicos, apresentações musicais e debates públicos.
A mobilização é liderada pelo movimento Amazônia de Pé, que reúne mais de 20 mil ativistas, além de aproximadamente 300 coletivos e organizações não governamentais dedicadas à causa ambiental. Para facilitar o engajamento, um mapa online disponibiliza a localização de mais de 300 atividades realizadas neste fim de semana, abrangendo diferentes estados e comunidades. Segundo Catarina Nefertari, codiretora executiva do movimento, o Dia da Amazônia é uma oportunidade de reforçar a mensagem de que o voto é uma ferramenta fundamental na defesa da floresta. Ela destaca a importância de estar presente nas ruas para mostrar às candidaturas que o tema ambiental deve estar no centro das propostas de governo, sobretudo naquelas que muitas vezes negligenciam os sonhos e necessidades das populações que vivem na região amazônica.
Nefertari, que é natural de Belém e cresceu na área conhecida como Amazônia urbana — onde coexistem cidades e áreas urbanizadas — afirma que a campanha, realizada de Norte a Sul do Brasil, é um grande chamado à mobilização social. Para ela, trata-se de um levante nacional que busca empoderar a sociedade na luta pela preservação do bioma. Desde 1968, o 5 de setembro é oficialmente considerado o Dia da Amazônia no Acre e no Amazonas, enquanto, em âmbito nacional, a data foi reconhecida por lei em 2007. A escolha do dia remete à criação da Província Amazônica, ocorrida em 1850, durante o período do Império, marcando um momento histórico na delimitação da região.
Outro ponto de atenção do movimento é a situação das Florestas Públicas Não Destinadas (FPNDs), terras que ainda aguardam definição oficial de uso e gestão pelo Estado. Segundo Karina Penha, codiretora do Amazônia de Pé, a ausência de destinação adequada para essas áreas aumenta a vulnerabilidade a crimes ambientais, como o desmatamento ilegal. Dados recentes do Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), revelaram uma redução de 36,87% no desmatamento na Amazônia entre agosto de 2025 e julho de 2026, o menor índice desde o início da série histórica em 2016. A área sob alerta de desmatamento totalizou 2.874,38 km², uma extensão equivalente à metade do território do Distrito Federal.
Além disso, o Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD), do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), apontou que, entre agosto de 2025 e julho de 2026, 60% das terras indígenas na Amazônia tiveram registros de desmatamento zero, indicando avanços na proteção dessas áreas. No contexto eleitoral, os candidatos ao cargo de presidente, governadores, senadores, deputados federais e estaduais, além de deputados distritais no Distrito Federal, serão escolhidos em eleições que terão o primeiro turno em 4 de outubro e, caso necessário, um segundo no dia 25, para decidir cargos que exijam maioria absoluta.
Essa mobilização, que reforça a importância do voto consciente na preservação da Amazônia, ocorre em um momento de avanços e desafios na proteção do bioma, incluindo a redução do desmatamento, mas também a necessidade de definir e regular áreas de uso público e privado. A campanha busca, assim, fortalecer o compromisso da sociedade brasileira com a sustentabilidade e a conservação do maior bioma do país, reconhecendo sua relevância para o equilíbrio ambiental global.