O Procurador-Geral da República, Paulo Gonet, apresentou nesta quarta-feira, 12 de dezembro, parecer favorável à rejeição do recurso apresentado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, que buscava reverter a decisão do ministro Alexandre de Moraes, a qual proibiu o senador Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente, de visitá-lo na prisão domiciliar por um período de 30 dias. A decisão de Moraes foi tomada no mês passado, após Flávio divulgar nas redes sociais uma carta escrita pelo ex-presidente, que atualmente encontra-se em prisão domiciliar e está proibido de realizar postagens em plataformas digitais, inclusive por intermédio de terceiros.
A medida de Moraes foi uma resposta ao descumprimento de regras estabelecidas para a visita, uma vez que Flávio Bolsonaro divulgou uma carta entregue pelo pai durante uma visita. Essa carta, segundo a decisão do ministro, teria sido utilizada de forma a violar a proibição de postagens por terceiros, uma das condições impostas ao ex-presidente enquanto cumpria pena. Como consequência, Moraes suspendeu temporariamente as visitas de Flávio ao pai, decisão que posteriormente foi ampliada devido à participação do ex-presidente na produção do conteúdo divulgado.
Na defesa apresentada por Bolsonaro, seus advogados argumentaram que Flávio tem direito a visitar o pai, uma vez que é um dos advogados do ex-presidente, além de contestar a restrição que impede o ex-presidente de receber visitas de políticos durante o período eleitoral. No entanto, o parecer do procurador-geral reforça que as medidas adotadas pelo ministro Alexandre de Moraes foram uma resposta adequada ao descumprimento das regras de conduta, especialmente após a divulgação da carta, que foi entregue ao filho durante uma visita autorizada.
O contexto dessa decisão está diretamente ligado ao estado de saúde de Bolsonaro, que foi condenado no ano passado a uma pena de 27 anos e três meses de prisão, em um processo relacionado a uma suposta trama golpista. Após passar por uma cirurgia, ele obteve o direito de cumprir prisão domiciliar, devido à recuperação de uma pneumonia bacteriana. Durante o período de cumprimento da pena, a legislação exige autorização prévia do ministro Alexandre de Moraes para qualquer visita, incluindo as de familiares e políticos.
A decisão do Ministério Público reforça a postura de que a proibição de visitas durante o período eleitoral visa assegurar a integridade do processo judicial e evitar possíveis violações às regras de conduta impostas ao ex-presidente, que permanece sob supervisão judicial enquanto aguarda o desfecho de seus recursos e procedimentos legais.