O Índice de Confiança de Serviços (ICS) do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), vinculado à Fundação Getulio Vargas (FGV), registrou uma queda de 0,9 ponto na passagem de agosto para setembro, na série com ajuste sazonal, atingindo o patamar de 88,1 pontos. Este recuo sinaliza uma tendência de desaceleração no setor de serviços, que já vinha apresentando sinais de enfraquecimento nos últimos meses.
Na análise da média móvel trimestral, o índice também demonstra uma tendência de declínio, com uma redução de 0,9 ponto, chegando a 88,3 pontos. Este movimento indica que o setor de serviços, importante motor da economia brasileira, mantém-se em trajetória de retração, o que pode impactar o crescimento econômico do país no curto prazo.
Segundo o economista do FGV IBRE, Carlos André Vieira, a confiança dos empresários do setor de serviços voltou a diminuir em setembro, impulsionada principalmente pela piora nas expectativas para os próximos meses. Apesar disso, a percepção sobre a situação atual do setor apresentou melhora pelo segundo mês consecutivo, refletindo uma certa resiliência no momento presente. Vieira destaca que essa combinação de fatores revela uma maior cautela por parte dos empresários, que estão mais receosos em relação ao médio e curto prazo.
O cenário interno também contribui para o momento de cautela. Vieira observa que, embora o mercado de trabalho continue demonstrando resiliência, sinais de arrefecimento começam a surgir. Além disso, o aumento na dificuldade de acesso ao crédito, que se torna mais curto e mais caro para as empresas, eleva a vulnerabilidade do setor diante de um ambiente de juros reais restritivos. Esses fatores, combinados, podem exercer pressão negativa sobre a atividade dos serviços ao longo dos próximos meses.
O índice também foi influenciado pelas variações distintas de seus componentes. O Índice de Situação Atual (ISA-S) avançou 0,9 ponto, chegando a 91,7 pontos, marcando a segunda alta consecutiva. Em contrapartida, o Índice de Expectativas (IE-S) recuou 2,7 pontos, atingindo 84,6 pontos, o maior declínio desde julho de 2026, quando havia registrado uma queda de 2,8 pontos.
Dentro do ISA-S, o comportamento dos seus componentes foi heterogêneo. O indicador de volume de demanda atual cresceu 1,7 ponto, atingindo 92,9 pontos, enquanto o componente que mede a percepção da situação atual dos negócios permaneceu relativamente estável, com uma alta de apenas 0,2 ponto, chegando a 90,5 pontos.
Já no que diz respeito às expectativas, o índice que mede a demanda prevista para os próximos três meses caiu 2,3 pontos, chegando a 84,5 pontos. O indicador de tendência dos negócios para os próximos seis meses também apresentou retração, diminuindo 3,1 pontos e fechando em 84,9 pontos. Esses dados indicam uma perspectiva de desaceleração do setor de serviços, com empresários mais cautelosos em relação ao desempenho futuro do segmento.
O recuo do ICS, portanto, reflete uma combinação de fatores internos e externos que afetam a confiança dos empresários no setor de serviços. A deterioração das expectativas, aliada ao arrefecimento do mercado de trabalho e ao aumento do custo do crédito, sinaliza um possível enfraquecimento da atividade econômica neste segmento até o final do ano.